O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, pediu nesta quarta-feira (12) que países aliados da América Latina deixem o Tribunal Penal Internacional (TPI).
A declaração foi feita durante discurso no Panamá, onde o chefe do Pentágono também elogiou o “Escudo das Américas”, coalizão de países contra o tráfico internacional de drogas.
O que julga o Tribunal Penal Internacional
Sediado em Haia, na Holanda, o TPI é um órgão permanente que julga indivíduos — nunca Estados, governos ou organizações — acusados dos crimes considerados mais graves pela comunidade internacional: genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra e crime de agressão. A corte só age quando os países signatários do Estatuto de Roma não têm condições ou não demonstram vontade de investigar e julgar os suspeitos por conta própria.
O pedido de Hegseth não é um gesto isolado. Ele se encaixa num padrão da administração Trump: meses antes, o secretário de Estado Marco Rubio já havia alertado países aliados sobre as “consequências” de decisões contrárias à linha de Washington em foros internacionais.
Os Estados Unidos nunca ratificaram o Estatuto de Roma e mantêm histórico de atritos com a corte. Ao pedir que parceiros latino-americanos abandonem o tribunal, Hegseth amplia essa disputa diplomática para dentro da própria região.
Pressão sobre instituições da Justiça no continente
A fala de Hegseth reforça um cenário já descrito pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal. Exatamente um ano antes, em agosto de 2025, Fachin afirmara que a Justiça enfrenta ataques à independência em diferentes países da América.
Durante o mesmo discurso no Panamá, o secretário de Defesa também elogiou o “Escudo das Américas”, apresentado como coalizão de países contra o tráfico internacional de drogas na região. A reportagem está em atualização e novos detalhes sobre a repercussão do pedido entre os governos latino-americanos devem surgir nas próximas horas.