Ronaldo Caiado (PSD), candidato à Presidência, afirmou nesta quarta-feira (12) que vai buscar outro nome com o perfil do promotor Lincoln Gakiya para comandar o Ministério da Segurança Pública, pasta que promete criar se for eleito.
Segundo o candidato, Gakiya, integrante do Gaeco do Ministério Público de São Paulo, recusou o convite por não poder deixar a função que exerce atualmente na área de combate ao crime organizado.
Caiado havia convidado o integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de São Paulo para assumir a nova pasta. Segundo o candidato, o promotor respondeu que não poderia deixar a função que exerce atualmente para aceitar o convite.
Mesmo com a recusa, Caiado disse respeitar a decisão de Gakiya e afirmou que vai atrás de um substituto com trajetória parecida. “Buscarei um perfil […] que tem essas características de experiência, de capacidade e de inteligência para combater o crime organizado no Brasil”, declarou.
Por que o nome de Gakiya foi escolhido
O convite ao promotor, segundo Caiado, também serviu para sinalizar o tipo de gestor que pretende colocar à frente da segurança pública em um eventual governo. Gakiya investiga facções criminosas há mais de duas décadas e vive sob escolta policial por causa de ameaças de morte — trajetória que já o levou a alertar publicamente sobre os riscos de classificar o PCC como organização terrorista, tema que também está no centro do plano de Caiado.
O convite a Gakiya faz parte do plano de segurança que Caiado apresentou em São Paulo na segunda-feira (10), batizado de Operação Reconquista, que propõe enquadrar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas domésticas e reduzir a maioridade penal para 16 anos em crimes específicos.
O programa também prevê penas mínimas de até 45 anos, progressão de regime somente após o cumprimento de 90% da pena, equiparação do furto de celulares ao roubo e a construção de 40 presídios de segurança máxima. Há ainda medidas de combate à violência doméstica, ao feminicídio e à corrupção, além de recuperação de ativos do crime organizado.
Promessa esbarra em impasse no Congresso
A criação do Ministério da Segurança Pública prometida por Caiado contrasta com o cenário atual em Brasília: o presidente Lula já condicionou a criação da mesma pasta à aprovação de uma PEC que segue parada no Senado, medida que depende do Congresso independentemente de quem vencer a eleição.