O pré-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) prometeu enquadrar as facções criminosas que operam na Amazônia como organizações terroristas no primeiro dia de um eventual governo.
A declaração foi feita neste domingo (25) em debate promovido pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), em São Paulo.
Para o ex-governador de Goiás, o enquadramento como terrorismo é a única forma de recuperar o controle do território e viabilizar a atuação plena das Forças Armadas e a cooperação internacional na região.
O diagnóstico de Caiado sobre a Amazônia
Para o pré-candidato, a região carece de efetivo policial capaz de enfrentar facções brasileiras e estrangeiras que avançam pelo território. A solução, na sua visão, passa por mobilizar as três forças militares — Aeronáutica, Marinha e Exército — e firmar parcerias tecnológicas com os Estados Unidos.
“Ali você não consegue ocupar território se não tiver toda a presença da Aeronáutica e buscar também a Marinha e Exército Brasileiro. Farei parcerias com todos os países, vou buscar parceria com americanos de satélites e imagens, vou buscar o máximo que tem de tecnologia em combate ao crime organizado”, declarou Caiado no evento.
O ex-governador também citou o impacto econômico: o avanço das facções criminosas na Amazônia, segundo ele, tem potencial de prejudicar as exportações brasileiras. Para cobrir os cerca de 17 mil quilômetros de fronteiras terrestres do país, mais a extensa costa marítima, Caiado defendeu integração policial nos moldes europeus — com livre trânsito entre países da América do Sul.
A proposta dialoga com uma tendência já em curso em Washington: Trump assinou em maio uma nova estratégia nacional de segurança que classifica cartéis e organizações criminosas transnacionais como terroristas — o mesmo enquadramento que o pré-candidato pretende adotar no Brasil caso vença a eleição de 2026.
Brasil e EUA em rota de colisão sobre o tema
A proposta colide diretamente com a posição do governo Lula. O Brasil se manifestou formalmente contra a intenção americana de classificar o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, argumentou que o terrorismo tem motivações políticas, enquanto as facções criminosas perseguem lucro financeiro — distinção que, para o Itamaraty, inviabiliza o enquadramento jurídico pretendido por Washington.
O governo americano, no entanto, sinalizou que não levará em conta a posição brasileira, tratando a classificação como medida de segurança interna dos EUA. A decisão pode abrir caminho para sanções financeiras severas e até extradições, mas esbarra na legislação nacional — a Lei Antiterrorismo brasileira não enquadra o crime organizado, criando um descompasso jurídico entre os dois países.
Parlamentares democratas dos EUA já enviaram carta ao secretário de Estado Marco Rubio advertindo que classificar o PCC como terrorista poderia prejudicar as relações entre os dois países — alerta que evidencia as implicações diplomáticas da proposta agora endossada por Caiado como bandeira de campanha.
A dimensão do problema justifica a urgência: o crime organizado já está presente em 45% dos municípios da Amazônia Legal, e o PCC opera em 30 países com cerca de 40 mil membros — escala que, na avaliação do pré-candidato, só pode ser enfrentada com o enquadramento de terrorismo e cooperação internacional ampla.
