A indústria automotiva brasileira produziu 225,8 mil veículos em abril de 2026, queda de 9,5% frente a março, quando foram fabricadas 249,4 mil unidades. Os dados são da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
O dado mais preocupante está nas exportações: o acumulado de janeiro a abril de 2026 ficou em 142,4 mil unidades, retração de 16,9% em relação ao mesmo período de 2025. O principal fator é o esfriamento das compras da Argentina — mas não só isso.
No comparativo anual, abril foi positivo: a produção cresceu 2,4% em relação a abril de 2025. No acumulado de janeiro a abril de 2026, o Brasil fabricou 872,6 mil veículos, alta de 4,9% ante o mesmo período do ano anterior.
Nas exportações, o mês de abril trouxe uma recuperação pontual de 8,2% em relação a março, com 43,2 mil veículos embarcados. Mas o acumulado anual ainda pesa: 142,4 mil unidades exportadas entre janeiro e abril de 2026, queda de 16,9% sobre os mesmos meses de 2025.
Argentina compra menos — e escolhe mais carros de fora
O mercado argentino é o fator central nessa equação. Nos primeiros quatro meses de 2025, o país vizinho adquiriu 101,5 mil veículos fabricados no Brasil. No mesmo período de 2026, esse volume caiu para 71,1 mil unidades — uma redução de quase 30%.
Igor Calvet, presidente da Anfavea, foi além do diagnóstico de mercado retraído: segundo ele, os veículos brasileiros também perderam participação na Argentina. Isso significa que, mesmo com menos carros sendo vendidos no país vizinho, os fabricantes nacionais estão ficando com uma fatia ainda menor do total — enquanto montadoras de outros países avançam sobre o mercado regional.
O recuo das exportações para a Argentina não passou despercebido: em abril, entidades dos dois países assinaram a Declaração de Buenos Aires, um pacto automotivo para reagir juntos à concorrência das montadoras chinesas, que avançam no mercado regional.
O acordo foi firmado durante o evento Automechanika, realizado na capital argentina. O texto estabelece uma agenda integrada com foco em competitividade, atração de investimentos e fortalecimento da integração produtiva entre os dois países.
Para as entidades signatárias, o pacto é uma resposta ao aumento da competição global e às transformações tecnológicas do setor — um sinal de que a disputa por mercados na América do Sul está se tornando cada vez mais acirrada.
