O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT-BA), prometeu neste domingo (9), em debate eleitoral na TV, criar a unidade de conservação da Serra da Chapadinha assim que o decreto chegar às suas mãos — primeiro posicionamento público do candidato sobre o tema.
A resposta veio após pergunta do candidato Ronaldo Mansur (PSOL-BA). A proposta prevê um Refúgio de Vida Silvestre de 18,3 mil hectares no sul da Chapada Diamantina, entre Itaetê, Ibicoara e Mucugê.
Decreto em análise na Procuradoria
Segundo Jerônimo, a proposta está em análise na Procuradoria Geral do Estado e deve seguir para seu gabinete ainda nesta semana, “no máximo na outra”, para assinatura do decreto. O governador antecipou ainda a necessidade de elaborar um plano de gestão da área e de garantir a proteção da fauna silvestre local.
A Serra da Chapadinha funciona como uma caixa d’água natural: rios e nascentes da região abastecem o rio Una, principal afluente do Paraguaçu, que leva água a mais de 80 municípios baianos — inclusive à Região Metropolitana de Salvador. Por isso, a segurança hídrica é um dos principais argumentos para a criação da unidade de conservação, que segue recomendação do Ministério Público Federal ao governo estadual.
A área é disputada por interesses conflitantes: desde 2023, reportagens do (o)eco denunciam avanço de mineração, desmatamento e grilagem sobre o território, que reúne fragmentos de Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica.
Cobrança prévia e violência no território
A promessa feita no debate não surgiu isolada. No fim de julho, a ex-ministra do Meio Ambiente e hoje candidata ao Senado, Marina Silva (Rede-SP), já havia cobrado publicamente a criação da UC, em solidariedade ao casal de ambientalistas que lidera a luta pela proteção da serra e foi alvo de atentado em maio.
Alcione Correa e Marcos Fantini, os dois ambientalistas citados, escaparam com vida após serem cercados por cerca de seis homens armados no dia 1º de maio. Eles seguem hoje incluídos no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas do governo federal.
O compromisso também chega sob desconfiança: levantamento recente mostrou que Jerônimo cumpriu apenas 36% das promessas assumidas em 2022, o que alimenta ceticismo entre eleitores e ambientalistas sobre o novo prazo dado pelo governador.