A ex-ministra do Meio Ambiente e candidata ao Senado pela Bahia Marina Silva (Rede-SP) cobrou nesta segunda-feira (27) a criação do Refúgio de Vida Silvestre da Serra da Chapadinha, no interior do estado. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela pediu agilidade do governo baiano na criação da unidade de conservação.
Marina também se solidarizou com o casal de ambientalistas Alcione Correa e Marcos Fantini, alvo de um atentado em maio deste ano por liderar a luta pela proteção da serra.
Água para o semiárido e criminosos armados
No vídeo, Marina destacou que a Serra da Chapadinha é fundamental para o abastecimento de água do semiárido baiano e da Região Metropolitana de Salvador. “Eu espero que a gente possa criar o mais rápido possível essa unidade de conservação, que será feita pelo governo da Bahia, para proteger o meio ambiente e a vida das pessoas”, afirmou a ex-ministra.
A área fica na porção sul da Chapada Diamantina, entre remanescentes de Caatinga e Mata Atlântica. A mobilização por sua proteção ganhou força a partir de 2023, puxada por Alcione e Marcos, donos da Pousada Toca do Lobo, Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica na região.
Na madrugada de 1º de maio, um grupo armado invadiu a pousada, depredou a estrutura e ameaçou matar o casal. Os dois escaparam com vida, mas deixaram a serra por segurança — e seguem à distância na defesa da unidade de conservação. O apelo de Marina ecoa o tom da Carta de Curitiba, documento assinado por mais de 700 participantes que cobra dos três Poderes mais agilidade na criação e proteção de unidades de conservação em todo o país.
Consulta pública avançou, mas sem data para decisão
Em junho, o governo da Bahia abriu consulta pública sobre a criação do Refúgio de Vida Silvestre da Serra da Chapadinha. Até agora, porém, o governador Jerônimo Rodrigues (PT-BA) não assumiu nenhum compromisso público nem deu prazo para a assinatura do decreto que oficializaria a unidade.
Enquanto a Serra da Chapadinha ainda aguarda resposta do governo baiano, o Distrito Federal já viu, neste mês, a antiga Reserva do IBGE virar a Estação Ecológica Roncador, unidade de proteção integral — um exemplo de como a burocracia pode ser vencida quando há decisão política.
A cobrança de Marina Silva ganha peso por vir de uma candidata ao Senado com histórico à frente do Ministério do Meio Ambiente, em plena corrida eleitoral de 2026, e reforça a pressão sobre a gestão baiana para transformar em lei a proteção que o casal de ambientalistas defende desde 2023.