O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), cumpriu apenas 33 das 92 promessas feitas na campanha de reeleição de 2022, segundo levantamento do g1 que mede o desempenho de gestores estaduais e municipais em todo o país.
O balanço cobre o período entre janeiro de 2023 e junho de 2026 — véspera da disputa pela reeleição, em outubro deste ano — e mostra que menos de 4 em cada 10 compromissos assumidos foram efetivamente entregues à população baiana.
Hospitais regionais inaugurados sem maternidade de alto risco
Na área da saúde, o governo entregou unidades importantes, mas em versão incompleta. O Hospital Regional do Velho Chico, inaugurado em agosto de 2025 em Ibotirama com investimento de quase R$ 98 milhões, abriu com 49 leitos, mas sem a maternidade de alto risco prometida. Situação semelhante ocorre nos hospitais de Amargosa/Jaguaquara e de Guanambi, além do Hospital do Sisal, em Serrinha, e do Hospital do Baixo Sul, em Valença, ainda em obras.
Em Jacobina, o governo não construiu a nova unidade prometida para atender também Senhor do Bonfim e Capim Grosso — apenas ampliou o hospital já existente. Em Teixeira de Freitas, a maternidade de alto risco do Hospital Costa das Baleias segue sem sair do papel.
Segurança: bodycams em Salvador, mas fora das viaturas
Na segurança pública, a Bahia criou a Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos, inaugurada em 10 de junho de 2026 no Complexo da Polícia Civil, em Nazaré, para investigar fraudes bancárias, golpes digitais e vazamento de dados. Já as câmeras corporais — usadas por agentes desde 2024 em Salvador, Candeias, Lauro de Freitas e Simões Filho — ainda não chegaram às viaturas policiais, e a Comissão Estadual de Gerenciamento de Crises fundiárias segue sem formalização.
Indústria parada e água represada
Na área econômica, a promessa de criar Zonas Especiais de Indústrias e de Serviços não saiu do papel: a proposta segue em fase de estudos junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sem prazo definido para virar política industrial. O programa de incentivo à reindustrialização solidária também não foi implementado como projeto próprio.
No saneamento, o cenário se repete: as barragens de Morrinhos, Casa Branca e Jaguaripe, além das do Catolé e de Baraúnas, seguem em obras, e a Barragem de Itapecirica sequer foi construída. Das cisternas de produção prometidas, apenas 2,78% foram entregues até junho. O ritmo lento de investimento em saneamento no país, que já ameaça a meta nacional de universalização até 2033, ajuda a explicar por que essas obras hídricas seguem inacabadas na Bahia.
Na educação, os tablets prometidos para toda a rede estadual atenderam menos da metade dos 672,9 mil alunos matriculados, e a telefonia celular chegou a apenas 103 das 200 localidades previstas. Com a reeleição em disputa em outubro, o desempenho parcial pode se tornar tema central da campanha de Jerônimo Rodrigues.
