O Museu de História Natural de Oxford, no Reino Unido, vai doar definitivamente 62 fósseis brasileiros ao Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Os espécimes, alguns com mais de 400 milhões de anos, ajudarão a reconstruir o acervo destruído no incêndio de 2 de setembro de 2018.
A remessa reúne peças coletadas no Paraná em 1979 e no Ceará em 1993, guardadas há décadas na instituição britânica.
Critério de seleção levou em conta pesquisas já publicadas
A paleontóloga Emma Nicholls, gerente de coleções do museu britânico, explica que a instituição mapeou 118 fósseis de origem brasileira em seu acervo. Peças já descritas em artigos científicos publicados no exterior permaneceram em Oxford, para que pesquisadores possam rastreá-las no mesmo local onde foram estudadas originalmente.
“O que nós queremos é ajudar o Museu Nacional do Brasil, de uma forma singela e humilde”, afirma Nicholls, que se emociona ao lembrar do incêndio mesmo oito anos depois. Os fósseis selecionados estão em bom estado de conservação e devem seguir para o Brasil assim que os trâmites forem concluídos.
Doações internacionais ajudam na reconstrução do acervo
Segundo o diretor do Museu Nacional, Ronaldo Fernandes, cerca de 85% do acervo foi perdido no incêndio de 2018, entre peças destruídas pelo fogo e outras estilhaçadas no desabamento do Paço de São Cristóvão. Desde então, instituições e colecionadores estrangeiros têm enviado doações — uma família alemã despachou mil fósseis, e uma instituição austríaca remeteu objetos de um explorador que esteve no Xingu no século 19.
Museu Nacional espera funcionamento pleno até 2029
O governo brasileiro também tem atuado para repatriar peças históricas guardadas no exterior. Um dos mantos tupinambá, que estava sob custódia do Museu Nacional da Dinamarca, em Copenhague, retornou recentemente ao Museu Nacional por meio de gestão diplomática.
Atualmente, o prédio no Rio de Janeiro mantém apenas algumas salas abertas à visitação, incluindo o espaço que exibe o meteorito Bendegó e uma sala com instrumentos musicais feitos de madeira recuperada das cinzas. A expectativa da direção é que o museu esteja em pleno funcionamento até o final de 2029, embora a restauração das mais de 5 mil peças resgatadas do incêndio deva se estender por muitos anos.