A Nasa confirmou nesta quarta-feira (29) que o telescópio espacial Nancy Grace Roman está pronto para ser lançado em 30 de agosto, a bordo de um foguete Falcon Heavy da SpaceX, a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
O novo observatório vai atuar ao lado do James Webb, mas com uma missão diferente: fazer varreduras rápidas e amplas do céu para localizar galáxias, estrelas e planetas que depois poderão ser estudados em detalhe por outros telescópios.
Como funciona o telescópio Roman
Batizado em homenagem à astrônoma Nancy Grace Roman, primeira chefe de astronomia da Nasa, o equipamento tem um espelho principal de 2,4 metros de diâmetro — o mesmo tamanho do espelho do Hubble. A diferença está no campo de visão: o Roman conseguirá observar grandes áreas do céu até mil vezes mais rápido que o telescópio veterano, mantendo nitidez semelhante no infravermelho.
Com cerca de 13 metros de altura e 10,5 toneladas já abastecido, o observatório concluiu o carregamento de hidrazina no último sábado (25) e agora passa pelos preparativos finais antes de ser acoplado ao foguete.
Diferença em relação ao James Webb
Apesar de operar na mesma região do espaço — o ponto de Lagrange 2, a 1,5 milhão de quilômetros da Terra —, o Roman não substitui o Webb. Enquanto o Webb funciona como uma lente teleobjetiva, capaz de mergulhar em detalhes de pontos distantes e específicos do Universo, o Roman atua como uma grande-angular, registrando extensas regiões do céu de uma só vez.
Segundo a Nasa, um mapeamento da Via Láctea que levaria cerca de um século com o Hubble poderá ser concluído pelo Roman em apenas um mês.
O que a missão pretende descobrir
O principal instrumento do Roman é a Wide Field Instrument, uma câmera de 300 megapixels com campo de visão até 100 vezes maior que o de equipamentos semelhantes do Hubble. Nos primeiros cinco anos, a expectativa é que o telescópio registre mais de 50 vezes a quantidade de céu observada pelo Hubble em três décadas de operação.
A missão vai investigar três frentes: a expansão do Universo, a matéria escura e a busca por exoplanetas. Usando os métodos de trânsito e microlente gravitacional, os cientistas da Nasa estimam localizar dezenas de milhares de novos planetas, incluindo mundos errantes que não orbitam nenhuma estrela.
Depois do lançamento, o Roman levará algumas semanas para chegar ao ponto de Lagrange 2. Lá, passará por testes antes de iniciar as observações científicas, previstas para o começo de 2027. Os dados coletados — dezenas de petabytes ao longo da missão — ficarão disponíveis para pesquisadores de diferentes países, incluindo o Brasil.
