Incêndios florestais, calor extremo e seca prolongada atingiram olivais na Espanha, Grécia, Itália e Portugal a partir de julho de 2026, elevando o risco de novos aumentos no preço do azeite de oliva.
A Comissão Europeia já havia revisado a previsão de produção do bloco para o ciclo 2025/26, com queda de 5%, puxada por um recuo de 18% na Grécia. Produtores agora relatam prejuízos causados pelo fogo, pela fumaça e por pragas favorecidas pelo calor.
Incêndios agravam custos de produção na Espanha
A associação agrícola espanhola ASAJA afirma que os incêndios que se intensificaram a partir de meados de julho atingiram pomares, vinhedos, estufas e olivais, devastando milhares de hectares e afetando culturas como frutas cítricas, abacates, amêndoas e azeitonas. Para a entidade, o maior risco não é a queda das exportações, mas o repasse dos custos de produção ao consumidor final.
O país também enfrenta restrições hídricas que reduzem a umidade do solo e aumentam o risco de queda prematura das azeitonas. Segundo estudo do World Weather Attribution, a seca que atinge a Europa neste verão é provocada sobretudo pelo calor extremo, que amplia o déficit hídrico do solo mesmo sem grande escassez de chuva — o mesmo mecanismo que agora ameaça diretamente os olivais espanhóis.
Grécia, Itália e Portugal também sofrem com o fogo
Na Grécia, produtores relatam prejuízos diretos das queimadas. “É uma sensação terrível quando você constrói algo com tanto esforço, e quando dinheiro não é fácil de conseguir”, disse a produtora Anastasia Hatzoglou à Reuters, após ter a casa danificada e as oliveiras queimadas. Segundo o portal grego Neakriti, o déficit hídrico e as ondas de calor reduzem a produtividade dos olivais, favorecendo pragas e doenças que comprometem o tamanho dos frutos e a qualidade do azeite.
O portal italiano Dissapore registra cenário semelhante em olivais da Itália e de Portugal, onde o calor prolongado também facilita o avanço de pragas.
Onda de calor histórica atinge toda a Europa
Além dos olivais, o clima extremo afeta outras culturas. A associação francesa Légumes de France estima perdas de milhares de toneladas de hortaliças como alface, cenoura, alho, cebola e alho-poró — em algumas regiões, a queda de produção pode chegar a 50%. Vinhedos tradicionais de Champagne, Bordeaux e Borgonha também sofrem com o amadurecimento acelerado das uvas, o que ameaça reduzir os rendimentos da safra.
Recorde de calor e mortes
A onda de calor de junho e julho de 2026 foi uma das mais severas já registradas na Europa, com temperaturas acima de 40°C na Alemanha, França, Dinamarca e República Tcheca. Só na última semana de junho, o fenômeno provocou mais de 1.300 mortes, além de derretimento de asfalto e cancelamento de eventos em diversas cidades. Cientistas afirmam que esse tipo de evento seria “praticamente impossível” sem o aquecimento global — a Europa já esquenta duas vezes mais rápido que a média mundial, com temperaturas médias 2,5°C acima dos níveis pré-industriais.