Meio ambiente

Calor extremo, não a chuva, agrava seca recorde na Europa

Estudo aponta risco de solo seco até 11 vezes maior na Europa Oriental após onda de calor de junho
Mapa da Europa com destaque na região Leste ilustra como calor extremo causa seca Europa após onda de calor recorde.

Uma grave seca atinge países como França e Romênia na Europa, e o principal responsável é o calor extremo registrado em junho de 2026, não a falta de chuva, aponta estudo divulgado nesta quinta-feira (23) pelo World Weather Attribution (WWA).

A atmosfera mais quente retém mais umidade do solo e das plantas, agravando a seca mesmo em regiões onde a chuva variou pouco nos últimos meses, segundo os cientistas.

Atmosfera mais quente, não menos chuva

Segundo Mariam Zachariah, coautora do estudo e pesquisadora do Imperial College London, “esta seca não é principalmente uma história de baixas precipitações, mas de uma atmosfera mais quente que provoca maiores déficits de umidade no solo”. Ela explica que, mesmo em regiões onde a chuva variou pouco ou onde se projetam aumentos sazonais, os riscos de seca continuam crescendo.

O fenômeno tem explicação física: a cada grau de aumento da temperatura, a atmosfera consegue reter cerca de 7% a mais de vapor de água, puxando umidade do solo e das plantas com mais intensidade.

Solos até 11 vezes mais secos

Cientistas da Europa, dos Estados Unidos e do Reino Unido compararam a seca atual com um clima 1,4°C mais frio, referência ao aquecimento já registrado desde o período pré-industrial (1850-1900). O resultado: solos extremamente secos são cinco vezes mais prováveis hoje na Europa Ocidental e 11 vezes mais prováveis na Europa Oriental. Entre abril e junho, os níveis de evaporação na Europa Ocidental foram 80 vezes mais prováveis do que seriam sem a mudança climática.

A crise se soma à onda de calor histórica que atingiu o continente em junho, quando mais de 100 milhões de europeus enfrentaram temperaturas acima de 35°C e recordes foram batidos na França e no Reino Unido — episódio que os pesquisadores agora apontam como o motor por trás da seca. O mês foi o mais quente já registrado na Europa Ocidental, segundo o observatório Copernicus, e deixou milhares de mortos.

Alerta da ONU

Para Simon Stiell, secretário-executivo da ONU Clima, “o agravamento das secas constitui um sinal de alerta impossível de ignorar”, já que a crise climática afeta diretamente os preços dos alimentos, os sistemas de energia e o transporte fluvial. O coautor Dominik Schumacher, do ETH Zurich, reforça que até regiões com inverno relativamente úmido enfrentaram seca poucos meses depois — sinal de que o continente que mais aquece no planeta precisa se preparar para esse novo padrão.

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