A Polícia Federal identificou repasse financeiro da empresária Roberta Luchsinger, apontada como lobista e amiga pessoal de Lulinha, a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula.
A descoberta partiu da análise de dados do celular de Roberta, alvo da Operação Sem Desconto. O valor do repasse, confirmado pelo próprio Marcola, foi de R$ 249 mil.
Empréstimo citado em novo inquérito contra Lulinha
O repasse aparece no terceiro inquérito solicitado pela PF para apurar as ligações do filho do presidente com o governo federal, autorizado pelo ministro Flávio Dino nesta terça-feira no STF.
Em nota, Marcola confirmou ter recebido a transferência de Roberta, no valor de R$ 249 mil, mas classificou a movimentação como um empréstimo pessoal, segundo ele “contraído e quitado”.
Roberta Luchsinger não é uma desconhecida das investigações que cercam Lulinha. A lobista já havia sido apontada como intermediária dele em negócios de cannabis medicinal junto ao Ministério da Saúde, elo que deu origem à série de inquéritos em curso no STF.
Os dados que revelaram o repasse a Marcola vieram do celular de Roberta, apreendido no contexto da Operação Sem Desconto. A mesma operação deflagrou nesta terça uma nova fase voltada a apurar a lavagem do dinheiro desviado do INSS.
Marcola decide deixar campanha de Lula após repercussão
A equipe do presidente Lula afirma confiar na versão dada por Marcola sobre o empréstimo, mas classifica como um erro o fato de ele ter recorrido a uma lobista investigada pela PF para obter recursos pessoais.
Como desdobramento político da revelação, Marcola decidiu deixar a campanha do presidente Lula. Ele já comunicou a decisão ao presidente do PT, Edinho Silva, e ao próprio Lula. Segundo apuração, Marcola deixou claro que não se trata de uma decisão jurídica, mas política: ele não quer que sua presença seja motivo de disputas internas e de fogo amigo na campanha.
Integrantes do governo descrevem o ex-chefe de gabinete como discreto e dizem que ele tomou a decisão para preservar Lula e evitar divisões dentro do PT. O PT tentou convencê-lo a permanecer, e há quem acredite que ele possa ser persuadido, mas petistas ouvidos pela reportagem afirmam que Marcola está irredutível.
Aliados do ex-chefe de gabinete defendem que ele divulgue publicamente os documentos que comprovam a contratação e a quitação do empréstimo, como forma de afastar dúvidas sobre a transação. Em nota divulgada na quarta-feira (5), Marcola afirmou: “Sempre pautei minha atuação pública pela ética, compromisso e transparência. A quem apresenta especulações e ilações, respondo com fatos, documentos e a minha inteira disposição e tranquilidade de colaborar com a Justiça.”
O caso reforça a pressão sobre o Planalto. O repasse a Marcola foi um dos elementos que embasaram o terceiro inquérito contra Lulinha, autorizado por Dino na mesma terça-feira, ampliando o cerco das investigações em torno do filho do presidente.