Lula afirmou nesta sexta-feira (14) que confia no filho Fábio Luís, o Lulinha, mas não vai pedir o encerramento das investigações que o atingem no STF. A fala foi dada em entrevista aos podcasts “Não Inviabilize” e “As Cunhãs”, no Palácio da Alvorada.
Fábio Luís é alvo de ao menos três inquéritos autorizados pelos ministros André Mendonça e Flávio Dino a pedido da Polícia Federal, que apuram tráfico de influência na Saúde, favorecimento na Dataprev e negócios ilícitos no governo federal.
“Fiquei preso e saí mais erguido”
Questionado sobre as investigações em curso, Lula disse que é delicado para um presidente da República opinar sobre casos sob análise da Justiça. Ele lembrou a própria prisão na Operação Lava Jato, posteriormente anulada, e disse esperar que o filho enfrente o processo da mesma forma.
“Quero que ele faça como eu fiz. Fiquei preso e saí mais erguido”, declarou o presidente. Segundo ele, apenas Lulinha sabe o que de fato ocorreu: “Só ele sabe a verdade. Se não fez, como jura, brigue. Se é culpado, contrate advogado. Eu estou muito tranquilo”.
A postura pública de Lula, no entanto, contrasta com a de aliados no PT que já tentaram minimizar o impacto das investigações às vésperas da eleição, chamando-as de tentativa de desgaste político contra o governo.
O presidente também comentou a apuração sobre o Banco Master e repetiu o discurso de que eventuais responsáveis por irregularidades devem ser punidos. “Quem tiver errado que pague o preço”, afirmou, cobrando ainda mais agilidade da Justiça: “que a Justiça saia da morosidade e entregue logo”.
Os três inquéritos contra Lulinha
O primeiro inquérito apura suspeitas de tráfico de influência e corrupção em negociações envolvendo o Ministério da Saúde. Um segundo investiga suposto favorecimento a empresários na Dataprev, estatal de tecnologia ligada à Previdência.
Já o terceiro inquérito, autorizado por Flávio Dino em 4 de agosto, busca apurar a atuação de um grupo que teria mantido negócios ilícitos em áreas do governo federal.
Lula também abordou as fraudes em benefícios do INSS investigadas pela Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal e pela CGU, que apura descontos indevidos em aposentadorias e pensões feitos por associações sem autorização dos beneficiários. Segundo o presidente, foi o próprio governo federal que detectou e comunicou as irregularidades aos órgãos responsáveis, antes mesmo de o caso ganhar repercussão política.