Um vídeo mostrando uma sucuri-amarela coberta por carrapatos gigantes no Pantanal viralizou nas redes sociais nesta semana, após ser publicado pelo g1, e reacendeu a dúvida sobre os riscos reais desse tipo de parasitismo para as serpentes.
Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a presença de carrapatos é natural na vida selvagem, mas uma infestação como essa indica que o réptil já enfrentava um quadro de saúde debilitado antes de ser filmado.
Como carrapatos afetam a saúde das serpentes
De acordo com a médica veterinária Kalena Barros da Silva, do Instituto Butantan, a presença de carrapatos no habitat natural é inevitável — qualquer animal que circula pela mata, incluindo serpentes, está sujeito a ser parasitado. Em condições normais, existe um equilíbrio entre o réptil e os organismos, mantido pelo próprio comportamento do animal.
Ao rastejar pela vegetação, nadar ou passar pela ecdise — processo de troca de pele —, a sucuri se livra naturalmente da maioria dos parasitas fixados no corpo. O problema surge quando esse equilíbrio se rompe: se o animal está fraco, imunologicamente debilitado ou sob estresse térmico, os carrapatos se multiplicam rapidamente.
Estresse térmico e seca no Pantanal
O biólogo Henrique Abrahão avalia que o caso da sucuri viralizada é um sinal de alerta. Para atingir esse nível de infestação, a serpente provavelmente já estava doente e havia passado bastante tempo fora da água — comportamento associado às altas temperaturas e à seca que atingem o Pantanal.
Quem é a sucuri-amarela
Uma infestação grave de carrapatos pode causar anemia severa no réptil, já que dezenas de ectoparasitas sugam grandes volumes de sangue, deixando o animal ainda mais fraco e vulnerável. Nesse sentido, a imagem da cobra coberta de parasitas funciona tanto como sintoma quanto como consequência de um estado de saúde já comprometido.
Menor que a sucuri-verde, a sucuri-amarela não é peçonhenta e mata suas presas por constrição, enrolando-se ao redor da vítima até provocar asfixia. A espécie mede entre 2,4 e 4,6 metros e pesa em média 30 quilos, podendo chegar a 40 quilos — as fêmeas costumam ser maiores que os machos.
Encontrada principalmente em pântanos e brejos, também pode habitar áreas de floresta e cavernas. Sua dieta inclui aves, ovos, peixes, répteis e pequenos mamíferos, podendo eventualmente capturar animais maiores, como cervos, caititus e capivaras.