O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, disse nesta terça-feira (21) a diplomatas de quase 50 países que as urnas eletrônicas brasileiras teriam a mesma origem das urnas da venezuelana Smartmatic.
Segundo ele, um relatório da CIA apontaria a empresa como envolvida em fraude nas eleições venezuelanas de 2012 — mas o TSE nega desde 2020 que utilize urnas da Smartmatic.
A fala ocorreu no evento reservado “Debatendo o Brasil”, promovido pela Novo Selo Comunicação com o The Brazilian Report para representantes de quase 50 países e organizações internacionais.
Durante a fala, ele pediu o envio de mais observadores eleitorais estrangeiros para as eleições de 2026.
O que diz o TSE sobre a Smartmatic
Em nota publicada em 2020 e atualizada em 8 de julho de 2026, o TSE afirma que as urnas eletrônicas não são fornecidas pela Smartmatic. O tribunal reforça que o software usado nas urnas é desenvolvido e gerido exclusivamente pela Justiça Eleitoral, sem participação da empresa venezuelana no código do sistema.
Em 2022, durante outro episódio de acusações contra as urnas, o TSE já havia negado que a Smartmatic tivesse qualquer acesso ao programa que roda nas máquinas de votação. Segundo o tribunal, a empresa prestou apenas serviços de conexão de dados e voz ao órgão e perdeu, em 2020, uma licitação para fabricar urnas eletrônicas.
Apesar de repetir as acusações, Flávio afirmou aos diplomatas que não estava questionando o sistema eleitoral brasileiro — pedido que soa contraditório diante do teor das declarações sobre a suposta origem venezuelana das urnas.
O precedente do pai: condenação e inelegibilidade
O discurso de Flávio reproduz um roteiro já testado por seu pai. Em 18 de julho de 2022, o então presidente Jair Bolsonaro reuniu embaixadores de diversos países no Palácio da Alvorada e atacou, sem provas, a segurança das urnas eletrônicas, usando a estrutura do próprio governo para a apresentação.
Pelo episódio, Bolsonaro foi condenado pelo TSE por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação — decisão que o tornou inelegível por oito anos, até 2030. Na ocasião, ele também citou suspeitas sobre as eleições de 2018 e defendeu, sem provas, que o voto impresso seria mais seguro do que as urnas eletrônicas, usadas sem qualquer caso confirmado de fraude desde 1996.
O ex-presidente baseou parte da apresentação em um inquérito da Polícia Federal, autorizado pelo STF, sobre a invasão de um hacker ao sistema do TSE em 2018 — acesso que o tribunal garante ter sido bloqueado, sem qualquer interferência no resultado das eleições. O evento de 2022 foi transmitido pela TV Brasil, com acesso da imprensa restrito a equipes que aceitassem veicular a apresentação ao vivo e na íntegra.
