Ronaldo Caiado (PSD), ex-governador de Goiás e candidato à Presidência, afirmou nesta segunda-feira (3) ser “a raiz” do agronegócio, e não “sabor agro”, em crítica direta a Flávio Bolsonaro (PL), durante entrevista ao canal MyNews.
O confronto ocorre em meio à disputa dos dois pelo voto do setor agropecuário, hoje mais alinhado a Flávio, e reforça a aposta de Caiado em se firmar como terceira via na corrida presidencial de 2026.
Currículo contra “sabor agro”
Questionado sobre por que parte do agronegócio hoje apoia Flávio Bolsonaro, Caiado listou sua trajetória no setor e disse que o rival “não entende” do assunto para um debate. Ele citou Matopiba, Goiás e Mato Grosso como regiões onde a expansão da fronteira agrícola elevou renda per capita, saúde e escolaridade.
O ex-governador também atribuiu a governos do PT o desmonte de políticas estruturantes para o campo, incluindo a Embrapa, e afirmou que o agronegócio “não aguenta produzir” com a atual taxa de juros, problema que, segundo ele, o governo Lula não resolveu — apontando o crédito extraordinário liberado pelo Planalto como uma das causas da alta.
Por que teme mais Flávio do que Lula
Ao ser questionado se seu maior desafio é vencer Lula ou vencer Flávio, Caiado respondeu que precisa ficar à frente do rival do PL no primeiro turno, porque a candidatura de Flávio seria o “peru de Natal” que o petista deseja enfrentar no segundo turno, já que o adversário chegaria a essa etapa “tendo que ficar se explicando” sobre denúncias.
Caiado admite que ainda não converteu o discurso técnico em votos do agro, hoje mais próximo de Flávio, e atribui a diferença à estrutura de campanha: lembra que só teve partido após o apoio de Gilberto Kassab, presidente do PSD, enquanto o rival do PL conta com organização política montada há mais de oito anos.
A rivalidade não é nova. Durante a convenção do PSD em julho, quando lançou a candidatura à Presidência e atacou Lula e Flávio Bolsonaro, Caiado já havia comparado o adversário a um “frango de granja” — sinal de que a disputa pelo eleitorado conservador e ruralista vem se acirrando desde então.
Na mesma entrevista, o candidato do PSD defendeu medidas mais duras contra feminicídio, incluindo confisco de bens de agressores, questionou a capacidade de gestão de Flávio e prometeu anistia “ampla, geral e irrestrita” a condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro caso seja eleito.