O pré-candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, classificou nesta quarta-feira (8) como “inaceitável” a manobra do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de pedir aos Estados Unidos o adiamento das tarifas de 25% para depois das eleições de outubro.
Em evento da Confederação Nacional do Comércio (CNC) em Brasília, Caiado também voltou o alvo para o governo Lula, cobrando do Itamaraty uma negociação sem viés ideológico com a administração Trump.
Dois alvos, um discurso
A fala de Caiado é uma resposta direta à carta enviada por Flávio Bolsonaro ao USTR — o órgão americano de representação comercial —, na qual o senador se identificou como pré-candidato à Presidência e pediu a suspensão das tarifas de 25% e o adiamento da decisão para depois das eleições de outubro.
Para o ex-governador de Goiás, a iniciativa de Flávio é inadmissível porque coloca o calendário eleitoral acima dos interesses imediatos do Brasil no comércio exterior.
No mesmo evento — promovido pela CNC em Brasília, mas esvaziado pela ausência dos demais convidados; apenas Caiado e Romeu Zema (Novo) compareceram —, o pré-candidato do PSD defendeu que o Itamaraty abandone posturas ideológicas e conduza as negociações com a Casa Branca com foco no interesse nacional.
A crítica ao governo Lula veio na sequência. Caiado acusou o Executivo de guiar a negociação comercial com os olhos no calendário eleitoral. “O que nós precisamos é ter um governante que pense, que defenda o Brasil. E não a sua posição pessoal e seu interesse pessoal”, declarou.
Guerra de declarações
A crítica de Caiado entra em cena no meio de uma disputa de narrativas já em curso: Flávio Bolsonaro havia revertido o argumento dias antes e acusado Lula de ser “o único interessado” no tarifaço americano, sugerindo que o presidente teria razões políticas para deixar as negociações emperradas.
Com Caiado agora atacando os dois lados — Flávio pela carta ao USTR e Lula pela condução ideológica da diplomacia —, a disputa em torno das tarifas de Trump se consolida como um dos temas centrais de embate entre os pré-candidatos para 2026.
O evento da CNC serviu também como termômetro do interesse da classe política pelo debate econômico: dos presidenciáveis convidados, a maioria não compareceu, deixando o palco para Caiado e Zema afirmarem suas agendas pró-mercado diante do empresariado brasileiro.
