A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou nesta segunda-feira (3) que o Brasil bateu novo recorde na produção de petróleo em junho, com 4,475 milhões de barris por dia — alta de 4% sobre maio e de 19,1% em relação a igual mês de 2025.
O novo patamar supera a marca anterior, de 4,340 milhões de barris diários registrada em abril, e ocorre em meio à forte oscilação dos preços internacionais do petróleo, provocada pelas tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã.
O pré-sal foi o principal motor do resultado, respondendo por 3,699 milhões de barris diários — quase 83% de toda a produção nacional em junho, segundo a ANP.
Preços sob pressão desde o fechamento de Ormuz
O recorde brasileiro chega em meio a forte instabilidade no mercado internacional. As tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã levaram ao fechamento do Estreito de Ormuz por um período prolongado, rota que concentra cerca de 20% do comércio mundial de petróleo. Na semana anterior ao recorde, o Brent já havia ultrapassado os US$ 96 com a escalada do conflito — o trampolim que levou o barril a cruzar a barreira dos US$ 100 pouco depois.
Com sinais de negociação entre os países envolvidos, as cotações recuaram para a faixa entre US$ 70 e US$ 80. No fim de semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que suspenderia um novo ataque ao Irã caso um acordo fosse fechado rapidamente para interromper o programa nuclear iraniano e permitir a reabertura do estreito.
O governo iraniano negou ter pedido a suspensão das ações militares dos EUA. Citando autoridades militares, a agência estatal Mehr classificou a declaração de Trump como “uma nova mentira” e afirmou que as Forças Armadas do país seguem “em alerta máximo” diante de possíveis novos ataques.
Mercado aposta em reabertura e pressiona preços
Mesmo com o impasse diplomático, a perspectiva de novas negociações e de reabertura do Estreito de Ormuz elevou o otimismo dos investidores. Perto das 10h50, o petróleo Brent caía 5,79%, cotado a US$ 82,84 o barril, enquanto o WTI recuava 7,23%, a US$ 78,55.
O momento coincide com a decisão da OPEP+ de ampliar em 188 mil barris diários a produção de agosto, movimento que deve intensificar a disputa por fatia de mercado global e manter a pressão sobre os preços nos próximos meses.