O Brasil produziu 4,25 milhões de barris de petróleo por dia em março de 2026, batendo recorde pelo segundo mês consecutivo e superando em mais de 4% o pico anterior, registrado em fevereiro — quando o país havia extraído 4,06 milhões de barris diários.
Os números são da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e confirmam avanço de 17% frente a março de 2025, puxado pela entrada de novas plataformas no pré-sal.
Combinando petróleo e gás natural, a produção total chegou a 5,53 milhões de barris de óleo equivalente por dia — contra 4,66 milhões no mesmo mês do ano anterior.
Pré-sal concentra oito em cada dez barris produzidos
O pré-sal foi o motor dos dois recordes consecutivos. Em março, a camada respondeu por cerca de 80% do total nacional, atingindo 3,41 milhões de barris por dia — resultado que consolida o Brasil entre os grandes produtores globais de petróleo de águas profundas.
A trajetória de expansão não é novidade: em 2025, o país já havia registrado volume médio anual recorde de 3,77 milhões de barris diários, com crescimento de 12% sobre 2024. Os dois primeiros meses de 2026 aceleraram ainda mais esse ritmo.
Petrobras lidera; Shell e TotalEnergies também crescem
Entre os concessionários, a Petrobras manteve a liderança com 2,57 milhões de barris por dia em março, alta de 15% na comparação anual, segundo a ANP. A estatal responde por mais da metade de tudo que o Brasil extrai.
A Shell, segunda maior produtora do país e principal sócia da Petrobras no pré-sal, produziu 427,5 mil barris diários, avanço de 10,8% frente a março de 2025. A francesa TotalEnergies registrou o maior crescimento percentual entre as três: 201,75 mil barris por dia, expansão de 22,6% na mesma base de comparação.
A produção de gás natural acompanhou o desempenho do petróleo. Em março, o país extraiu 204,11 milhões de metros cúbicos por dia — crescimento de 23,3% ante março de 2025 e de 3,3% sobre fevereiro.
Maior parte do gás é reinjetada, não vendida
Dos 204,11 milhões de metros cúbicos de gás extraídos diariamente em março, apenas 67,39 milhões foram disponibilizados ao mercado. A fatia mais expressiva — 112,02 milhões de m³/dia — foi reinjetada nos próprios campos produtores, prática comum no pré-sal para manter a pressão dos reservatórios e maximizar a extração de petróleo.
Outros 19,25 milhões de m³/dia foram consumidos internamente nas plataformas, e 5,46 milhões de m³/dia foram queimados — um indicador que o setor acompanha com atenção por seu impacto ambiental.
O volume exportado de petróleo já havia sustentado o superávit comercial de fevereiro em US$ 4,2 bilhões — agora, com a produção batendo recorde pelo segundo mês consecutivo, o impacto nas exportações tende a se aprofundar, em meio a um saldo comercial de março que já registrou o pior resultado em seis anos, segundo dados da balança.
O ciclo de recordes reflete o amadurecimento dos campos do pré-sal descobertos há quase duas décadas. A expansão contínua reforça o peso do petróleo na pauta exportadora brasileira e coloca o país cada vez mais próximo de figurar entre os dez maiores produtores mundiais da commodity.
