Negócios

Embraer soma recorde de pedidos e mira desafiar Airbus e Boeing

Ações da fabricante brasileira multiplicaram por dez desde 2021, enquanto rivais acumulam atrasos de até 10 anos
Embraer E195-E2 em voo ao lado de Airbus A380, ilustrando Embraer desafiar Airbus e Boeing por mercado global

A Embraer vive o que a revista britânica The Economist classifica como uma oportunidade rara para desafiar o duopólio global de Airbus e Boeing na aviação comercial. A avaliação foi publicada em reportagem de 30 de julho.

A fabricante brasileira, sediada em São José dos Campos (SP), deve entregar até 255 aeronaves em 2026, ante 141 em 2021, impulsionada por uma carteira recorde de US$ 34,5 bilhões em pedidos anunciada em julho.

Por que a Embraer ganhou espaço

Segundo a The Economist, a companhia é favorecida por uma combinação de fatores: atrasos nas entregas de Airbus e Boeing, que somam cerca de 16 mil encomendas represadas e prazos de espera de até dez anos em alguns modelos, além do apetite crescente por voos diretos entre aeroportos menores e pela expansão do mercado de jatos executivos e militares.

O recorde de US$ 34,5 bilhões na carteira de pedidos não surgiu isolado: foi o sétimo resultado trimestral consecutivo a superar o anterior, com alta de 16% ante o mesmo período de 2025. Parte desse avanço veio da venda de até 45 jatos E195-E2 ao Grupo Abra, controlador de Gol e Avianca, fechada durante o Farnborough Airshow.

Ações valorizadas e diversificação

Desde o início de 2021, as ações da Embraer se valorizaram cerca de dez vezes — desempenho muito superior ao registrado por Airbus e Boeing no mesmo período. Para o presidente da companhia, Francisco Gomes Neto, ainda há espaço para “um crescimento substancial” nos próximos anos.

A diversificação também passa pela área militar: a fabricante ampliou a produção de caças Gripen em Gavião Peixoto, em parceria com a sueca Saab, um dos segmentos citados pela revista entre os ventos favoráveis ao negócio.

O desafio de romper o duopólio

A revista aponta que o cenário atual abre caminho para um passo mais ambicioso: desenvolver um jato executivo de grande porte. Como os modelos atuais de Airbus e Boeing continuam vendendo bem, as duas gigantes teriam poucos incentivos para investimentos pesados no curto prazo — o que criaria a janela de oportunidade para a Embraer.

Ainda assim, a publicação pondera que romper o duopólio seria um desafio enorme, lembrando a tentativa fracassada da canadense Bombardier e o alerta do presidente da Airbus, Guillaume Faury, para que a Embraer “pense duas vezes” antes de seguir esse caminho. Um projeto do tipo custaria cerca de US$ 10 bilhões e exigiria parceiros externos, tema que já divide opiniões dentro da própria companhia.

Gomes Neto, por ora, adota cautela: diz que a Embraer está “muito confortável com a situação que temos hoje”. A empresa é atualmente a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo e líder no segmento de aeronaves de até 150 assentos, herança de uma trajetória que inclui a privatização nos anos 1990 e o fim conturbado da parceria com a Boeing, rescindida em 2020 e encerrada em acordo de US$ 150 milhões em 2024.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

PT abre mão de candidatura a governador em 14 estados em 2026

Analistas dizem que Brasil tem pouca margem para negociar tarifaço de Trump

Adimplentes do Fies cobram no Congresso desconto igual ao de inadimplentes

Estudo brasileiro usa HTLV-1 para desvendar avanço da esclerose múltipla