As ações da Embraer subiram mais de 5% nesta segunda-feira (22), após a Latam Airlines fechar acordo para adquirir até 74 aeronaves E195-E2.
O pedido, um dos poucos recentes de uma companhia aérea brasileira, ocorre em meio a atrasos na Boeing e Airbus.
A encomenda inclui 24 aviões, avaliados em US$ 2,1 bilhões, e 50 opções de compra, com entregas a partir do segundo semestre de 2026.
Detalhes do acordo e impacto no mercado
O acordo firmado entre Latam Airlines e Embraer prevê a entrega inicial de 24 aeronaves E195-E2, com possibilidade de ampliação para até 74 unidades, considerando as 50 opções de compra adicionais. O valor do pedido firme é estimado em US$ 2,1 bilhões pelo preço de tabela. As entregas estão programadas para começar no segundo semestre de 2026, atendendo prioritariamente a Latam Airlines Brasil, mas podendo incluir outras afiliadas do grupo.
Esse movimento é significativo, pois o último pedido de aeronaves E2 no Brasil havia sido realizado em 2018 pela Azul, atualmente a única operadora desse modelo no país. A nova encomenda ocorre em um cenário de crise nas entregas das gigantes Boeing e Airbus, o que reforça a relevância do acordo para o setor aéreo nacional.
Por volta das 13h30, as ações da Embraer subiam 5,34%, cotadas a R$ 80,85, liderando os ganhos do Ibovespa, que registrava queda de 0,55%. No acumulado do ano, a valorização dos papéis da empresa chega a 44%.
Análise do mercado e projeções
Analistas do Itaú BBA consideraram a notícia positiva, projetando que o pedido, com desconto estimado de 50% (US$ 1,05 bilhão), pode elevar a carteira de encomendas da Embraer a um recorde de US$ 31 bilhões no terceiro trimestre de 2025. Segundo Daniel Gasparete e equipe do Itaú BBA, “considerando que a Latam Airlines já opera aeronaves da Boeing e da Airbus, acreditamos que esse pedido reforça a competitividade dos produtos da Embraer”.
Já analistas do Santander, assumindo um desconto de 60% sobre os preços de tabela, avaliaram que o pedido firme acrescenta 6,4% à carteira de aviação comercial da Embraer e 2,8% à carteira consolidada. Com as opções de compra, os aumentos seriam de 19,8% e 8,7%, respectivamente, segundo Lucas Esteves e equipe.
Além disso, o relatório do Santander destaca que o pedido reduz os riscos no cronograma de entregas de 2026, especialmente diante das dificuldades com motores dos jatos E1 e da recuperação judicial (Chapter 11) da única operadora desse modelo no Brasil.