Política

PF pede investigação de Lulinha e agrava crise com gabinete de Mendonça

27 superintendentes da PF divulgam nota em defesa da corporação em meio à disputa institucional com o gabinete do ministro Mendonça
PF investiga Lulinha no INSS enquanto crise com André Mendonça se aprofunda na disputa institucional

Um pedido da Polícia Federal para investigar Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, no caso do INSS, escalou uma crise que já existia entre a corporação e o gabinete do ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal.

O gabinete cobra explicações sobre atrasos em diligências e mudanças na equipe de investigação, enquanto a PF nega qualquer irregularidade e recorreu à AGU contra restrições impostas por Mendonça à comunicação de dados do inquérito.

Como o pedido chegou a Mendonça

O novo pedido de investigação foi apresentado pela Polícia Federal e caiu no plantão do ministro Alexandre de Moraes no STF. Da corte, o caso seguiu para a Procuradoria-Geral da República, que deu parecer favorável à abertura do inquérito. Por já relatar o processo principal do caso INSS, André Mendonça recebeu a nova frente de apuração — a mesma que levou o STF a autorizar a PF a investigar Lulinha por suspeita de tráfico de influência na Saúde.

Segundo apurado sobre o caso, integrantes do gabinete de Mendonça já vinham questionando a demora em diligências e as mudanças na equipe responsável pela investigação antes desse novo capítulo. A leitura desses interlocutores é a de que algo não estaria funcionando de forma regular na condução das apurações, em meio a uma crise institucional que se arrasta há meses.

A Polícia Federal rejeita essa avaliação. A corporação afirma que os procedimentos seguiram critérios técnicos e nega qualquer atuação indevida — mas também não aceita decisões que, na sua visão, interfiram em suas competências investigativas.

Disputa institucional se aprofunda

Fontes da PF sustentam que o atrito com o gabinete de Mendonça é anterior ao pedido de investigação sobre Lulinha. Desde janeiro, a corporação já recorria à AGU para contestar medidas que considerava interferência em suas atribuições — na época, o relator do caso ainda era o ministro Dias Toffoli, e a manifestação foi feita de forma verbal. Em maio e junho, os pedidos passaram a ser formalizados.

Suspeita de vazamento envolve Jaques Wagner

A tensão ganhou um novo capítulo com a retirada parcial do sigilo de documentos do processo, o que levantou suspeita de vazamento de informações envolvendo o senador Jaques Wagner. A hipótese passou a constar formalmente nas petições do caso — episódio que ocorre no mesmo período em que o STF autorizou o monitoramento do celular do senador no caso Master.

Superintendentes da PF publicam nota em defesa da corporação

Como novo desdobramento da crise, os 27 superintendentes regionais da Polícia Federal divulgaram, na quinta-feira (6/8), uma nota conjunta em que reafirmam o compromisso da instituição com a Constituição, a legalidade e o Estado Democrático de Direito. O documento expressa confiança na Direção-Geral da PF e ressalta que a atividade investigativa não deve se submeter a interesses políticos, ideológicos ou pessoais — uma resposta direta às cobranças do gabinete de Mendonça.

No manifesto, os chefes regionais reconhecem que o “debate público e as críticas legítimas são próprios da democracia”, mas alertam que esse debate se torna nocivo quando orientado ao “enfraquecimento da credibilidade e da confiança” que a sociedade deposita nas instituições. O texto é assinado pelos chefes das 27 superintendências regionais da PF.

No mesmo período, o presidente Lula afirmou ter chamado Lulinha ao Palácio do Planalto para uma conversa após o nome do filho ser citado na CPMI do INSS.

Com esses desdobramentos, o caso do INSS deixou de ser apenas uma investigação criminal e passou a expor também uma disputa pelo controle das apurações entre a Polícia Federal e o gabinete de um ministro do STF.