O Move Aplicativos, linha de crédito do governo federal para motoristas de aplicativo e taxistas comprarem carros, já aprovou R$ 2,2 bilhões em financiamentos para 21.720 profissionais em todo o país, segundo balanço do BNDES divulgado nesta sexta-feira (31).
O valor médio contratado foi de R$ 102 mil por motorista, com taxas de 12,6% ao ano para homens e 11,5% ao ano para mulheres, prazo de até 72 meses e seis meses de carência.
O montante, porém, corresponde a apenas 7,3% dos R$ 30 bilhões reservados pelo Tesouro Nacional para o programa, anunciado por Lula em maio.
Por que o ritmo de contratação é lento
O Move Aplicativos foi lançado em maio pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como parte da política de estímulo à renovação da frota usada por trabalhadores de aplicativo. Os R$ 30 bilhões da linha saem do Tesouro Nacional e são repassados ao BNDES, que opera o financiamento junto a bancos parceiros em todo o país.
Apesar do anúncio de peso, a execução tem sido mais lenta que a meta sugere. Quando o programa passou a aceitar carros usados, em julho, especialistas já apontavam que o maior entrave não estava nos juros, e sim na aprovação do crédito — o que ajuda a explicar por que, meses após o lançamento, apenas 7,3% do total previsto foi de fato contratado.
Para tentar acelerar as vendas, o programa passou a financiar também veículos seminovos, mas com uma restrição: eles precisam ser híbridos flex ou totalmente elétricos, e não podem ser apenas flex. Segundo a tabela Fipe, há poucas opções de híbridos flex usados por menos de R$ 150 mil, enquanto os modelos elétricos são mais numerosos nessa faixa de preço.
Governo amplia o modelo para motos
Quatro dias antes deste balanço, o governo federal lançou o Move Brasil Entregadores, programa paralelo dedicado a mototaxistas e entregadores de aplicativo. A nova linha, operada pela Caixa Econômica Federal, tem taxas de juros semelhantes às do Move Aplicativos e mostra a intenção do governo de estender o crédito subsidiado a outras categorias que trabalham por plataformas digitais.
Com o Move Aplicativos ainda distante da meta de R$ 30 bilhões, o desempenho dos próximos meses deve mostrar se o ajuste nas regras para carros usados — e agora um programa irmão voltado às motos — será suficiente para destravar a adesão dos motoristas ao crédito.
