O Conselho Monetário Nacional (CMN) ampliou nesta quinta-feira (27) as condições de financiamento do Move Brasil, programa de crédito para taxistas, motoristas de aplicativo e cooperativas comprarem veículos.
O prazo máximo de pagamento subiu de 72 para 84 meses, e o valor do carro elegível passou de R$ 150 mil para R$ 200 mil, mudanças que podem reduzir o valor das parcelas e ampliar os modelos disponíveis aos motoristas.
Por que o governo ampliou as regras
A mudança foi aprovada nesta quinta-feira (27) em reunião extraordinária do CMN e ocorre em meio ao baixo ritmo de aprovações do programa. Em julho, o Move Brasil havia liberado apenas R$ 2,2 bilhões em financiamentos — 7,3% dos R$ 30 bilhões reservados —, ritmo lento que pesou sobre a decisão de ampliar as condições agora.
Quando o programa foi lançado por Lula em maio, o prazo máximo era de 72 meses e o teto do veículo, de R$ 150 mil — ambos os limites agora ampliados pelo CMN.
Segundo levantamento do Ministério da Fazenda com base nos emplacamentos de 2025, o limite anterior de R$ 150 mil cobria cerca de 63% do mercado analisado. Com o novo teto de R$ 200 mil, outras 486 mil unidades passam a integrar o grupo de veículos financiáveis, elevando a cobertura para aproximadamente 88% do mercado.
O prazo mais longo mantém também a possibilidade de até seis meses de carência para o pagamento do valor principal, período em que o beneficiário não precisa começar a quitar essa parte da dívida.
Quem pode acessar o crédito
Para motoristas de aplicativo, o Move Brasil exige cadastro ativo há pelo menos 12 meses na mesma plataforma e, nesse período, ao menos 100 corridas registradas nela — não é possível somar corridas feitas em aplicativos diferentes, como Uber e 99.
Taxistas precisam comprovar licença e registro ativos nos órgãos de trânsito, além de regularidade fiscal. Motoristas cooperados também podem participar do programa.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na última quarta-feira (20) que os bancos públicos têm participado mais da operação do que os privados, que demonstram menos apetite pelas linhas do programa. A aprovação do crédito, e não os juros, segue sendo o principal gargalo relatado por especialistas, com boa parte dos motoristas chegando ‘negativados’ às financeiras.