Economia

Contas públicas registram déficit de R$ 55,3 bilhões em junho

No semestre, rombo já soma R$ 80,2 bilhões e afasta governo da meta de superávit fiscal de 2026
Sede do Banco Central em Brasília; déficit primário das contas públicas soma R$ 80,2 bi no semestre

O Banco Central informou nesta sexta-feira (31) que as contas públicas consolidadas fecharam junho com déficit primário de R$ 55,3 bilhões, resultado pior que o registrado no mesmo mês de 2025, quando o rombo foi de R$ 47,1 bilhões.

No acumulado do primeiro semestre, o déficit chega a R$ 80,2 bilhões, equivalente a 1,2% do PIB. Em igual período de 2025, o governo havia fechado as contas com superávit de R$ 22 bilhões.

Por que o resultado piorou

O déficit primário ocorre quando as despesas do governo superam a arrecadação com tributos, sem contar os juros da dívida pública. O indicador consolida as contas da União, estados, municípios e estatais.

Isoladamente, o governo federal acumulou rombo de R$ 93,4 bilhões no primeiro semestre, ante déficit de R$ 12,3 bilhões no mesmo intervalo de 2025. O Banco Central atribui parte da piora à antecipação no pagamento de precatórios pela Secretaria do Tesouro Nacional.

O resultado das estatais federais também contribuiu para o quadro negativo: as empresas do governo federal registraram déficit recorde de R$ 7,8 bilhões no primeiro semestre, o pior da série histórica iniciada em 2002.

A meta fiscal do governo para 2026 prevê superávit primário de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34,3 bilhões — patamar que as contas públicas estão longe de alcançar até o momento.

Impacto dos juros na dívida

Quando entram no cálculo os juros da dívida pública — o chamado resultado nominal, usado em comparações internacionais —, o déficit das contas públicas em junho sobe para R$ 166 bilhões.

No acumulado de 12 meses até junho, o rombo nominal chegou a R$ 1,32 trilhão, ou 10% do PIB, número acompanhado de perto pelas agências de classificação de risco na definição da nota de crédito do país.

O peso dos juros reflete a Selic em 14,25% ao ano, taxa básica elevada mantida pelo BC para conter a inflação. Em 12 meses, as despesas com juros nominais somaram R$ 1,16 trilhão, equivalente a 8,8% do PIB.

A trajetória fiscal também se reflete no endividamento: a dívida pública chegou a 81,9% do PIB em junho, o maior nível em mais de cinco anos, segundo o Banco Central.