A arrecadação federal somou R$ 230,2 bilhões em maio deste ano, segundo informou a Receita Federal nesta quinta-feira (26). O valor representa o maior já registrado para o mês desde 1995, início da série histórica.
O resultado mostra um crescimento real de 7,7% em comparação ao mesmo período de 2023, quando foram arrecadados R$ 202,97 bilhões. O acumulado de janeiro a maio chegou a R$ 1,2 trilhão, alta de cerca de 4% em relação ao ano anterior.
Fatores que impulsionaram o resultado
De acordo com a Receita Federal, o desempenho positivo da arrecadação foi influenciado principalmente pela atividade macroeconômica, pelo aumento da arrecadação do Imposto de Renda sobre ganhos de capital e pelo desempenho dos tributos do comércio exterior. O aumento da taxa básica de juros (Selic) nos últimos meses impactou diretamente os ganhos de capital tributados.
O coordenador de previsão e análise da Receita Federal, Marcelo Gomide, explicou que três fatores contribuíram para o bom desempenho dos tributos do comércio exterior: maior volume de importações, taxa de câmbio média mais alta e avanço das alíquotas médias do Imposto de Importação (II) e do Imposto de Produtos Importados (IPI) vinculado. “Isso não significa que a gente aumentou as alíquotas dos produtos, mas que, na cesta de comparação, os contribuintes estão preferindo comprar produtos que estão sendo taxados a alíquotas mais altas”, afirmou Gomide.
Comparações com o ano anterior e fatores atípicos
Diferentemente de 2023, a Receita Federal destacou que não houve fatores atípicos influenciando a arrecadação em maio deste ano. O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros do Fisco, Claudemir Malaquias, lembrou que, no ano passado, a arrecadação foi impactada pela tributação de fundos exclusivos e pela postergação do pagamento de tributos para contribuintes do Rio Grande do Sul.
Esta divulgação dos dados de arrecadação foi a primeira do ano devido à greve dos servidores do Fisco, que atrasou a publicação dos resultados. O novo recorde reforça a tendência de recuperação econômica e o impacto das variáveis macroeconômicas e do comércio exterior sobre as receitas federais.