Senadores democratas do Comitê de Relações Exteriores dos Estados Unidos acusaram o governo de Donald Trump de promover teorias conspiratórias sobre as eleições brasileiras.
A declaração foi publicada nesta terça-feira (29) na rede social X, em perfil comandado pela senadora Jeanne Shaheen, presidente da ala democrata do comitê.
A crítica é resposta a reportagem do The Washington Post, que revelou o plano do Departamento de Estado para enviar dois funcionários ao Brasil e questionar as urnas eletrônicas antes do pleito de 4 de outubro.
O plano revelado pelo Washington Post
Segundo o jornal americano, a missão seria formada por Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente do Departamento de Estado. Samson é conhecido por viajar a diversos países promovendo pautas conservadoras e criar laços com grupos de direita, o que já gerou atritos com diplomatas em outras ocasiões.
A reportagem se baseou em relatos de autoridades brasileiras e americanas que falaram sob condição de anonimato. Dias antes, o Washington Post já havia revelado que o Departamento de Estado americano preparava o envio dos dois diplomatas ao Brasil para questionar a integridade das urnas eletrônicas.
No mesmo dia em que a reportagem veio a público, o Itamaraty negou os vistos aos dois funcionários, segundo apurou o Blog do Valdo Cruz. A negativa de vistos pelo Itamaraty veio na esteira das declarações de Flávio Bolsonaro sobre as urnas e chegou a ser classificada como ‘escandalosa’ por ministros do STF.
Repercussão entre democratas
Ao repostar a reportagem do The Washington Post, a senadora Jeanne Shaheen destacou um trecho do texto: ‘costumávamos empregar poder em situações de risco para a democracia‘, mas ‘agora, enviamos indicados políticos para desacreditar o sistema eleitoral de outro país’.
Também integram a ala democrata do comitê os senadores Chris Coons, Chris Murphy, Tim Kaine, Jeff Merkley, Cory Booker, Brian Schatz, Chris Van Hollen, Tammy Duckworth e Jacky Rosen.
O episódio ocorre em meio a outra frente de desgaste diplomático. O Departamento de Estado americano rebateu as críticas, alegando que a viagem seria apenas uma visita de rotina sobre integridade eleitoral e liberdade religiosa.