Três senadores democratas dos Estados Unidos voltaram a pressionar o secretário de Estado, Marco Rubio, por uma resposta objetiva: o governo de Donald Trump vai ou não reconhecer quem vencer a eleição no Brasil, em outubro?
A cobrança veio em uma nova carta enviada na segunda-feira (28) por Jeanne Shaheen, Peter Welch e Tim Kaine, que voltam a apontar uma suposta tentativa de interferência de Washington no pleito brasileiro.
O que diz a nova carta
No documento, os senadores questionam se a administração americana “se comprometerá a reconhecer o resultado” da eleição brasileira e registram “preocupação com ações do governo (dos EUA) que ameaçam nossa aliança estratégica com o Brasil”.
A acusação central aparece sem meias palavras: “Ao longo do segundo mandato do Presidente Trump, observamos autoridades dos EUA envolvidas em uma campanha de interferência e desestabilização no Brasil”, diz o texto, que lista uma série de indícios do que classifica como pressão externa sobre o processo eleitoral.
Não é a primeira investida. Na semana passada, congressistas norte-americanos já haviam escrito a Rubio acusando o governo Trump de tentar interferir nas eleições do Brasil. A diferença agora é o formato: em vez de denúncia genérica, uma pergunta direta sobre o reconhecimento das urnas.
A suspeita de ingerência ganhou corpo em julho, quando veio à tona que o governo Trump preparava o envio de diplomatas a Brasília para questionar a integridade das urnas eletrônicas.
Washington ainda em silêncio
O governo norte-americano não havia se manifestado sobre a nova carta até a publicação do material que a revelou.
O registro mais recente é de agosto, quando o Departamento de Estado afirmou ao g1 que respeitará “qualquer governo” eleito em outubro no Brasil e negou ter plano para barrar a reeleição de Lula — promessa que, à época, veio acompanhada da ressalva condicional de “eleições livres e justas”.
Para o leitor brasileiro, o que está em jogo é prático e tem data marcada: a garantia cobrada diz respeito a um pleito que começa em outubro, e a ausência de um compromisso explícito deixa em aberto como a maior potência do continente vai tratar o vencedor das urnas.
O episódio também escancara uma divisão interna nos Estados Unidos. Enquanto o Executivo evita se comprometer, parte do Congresso trata o assunto como risco concreto à aliança estratégica entre os dois países — expressão usada pelos próprios senadores no documento.