Política

Governo Trump prepara missão para questionar urnas antes da eleição no Brasil

Diplomatas brasileiros prometem barrar interferência de enviados dos EUA na disputa presidencial de outubro
Trump ao lado da bandeira do Brasil simboliza pressão dos EUA sobre a integridade das urnas eletrônicas

O Departamento de Estado dos Estados Unidos prepara o envio de dois diplomatas a Brasília com a missão de questionar a integridade das urnas eletrônicas brasileiras, segundo revelou o jornal The Washington Post nesta sexta-feira (24).

A viagem estaria marcada para poucas semanas antes das eleições presidenciais de 4 de outubro, época em que a disputa eleitoral no Brasil entra em fase decisiva.

Quem são os enviados e qual a reação do Brasil

Segundo o Washington Post, a delegação será formada por Riley M. Barnes, secretário-assistente, e Samuel Samson, subsecretário-assistente conhecido por viajar a diversos países promovendo pautas conservadoras e cultivando laços com grupos de direita — postura que já gerou atritos com diplomatas tradicionais em outras nações.

Diplomatas seniores brasileiros afirmaram ao jornal que já tomaram conhecimento da movimentação e prometeram agir para impedir qualquer interferência no processo eleitoral. Uma autoridade classificou a iniciativa como um estratagema incompatível com a democracia brasileira e garantiu que o governo vai proteger o sistema de votação.

Procurado pelo jornal, o Departamento de Estado confirmou a viagem dos diplomatas, mas não respondeu a perguntas sobre o real propósito da missão nem sobre eventuais preocupações com a integridade eleitoral do Brasil.

O episódio ocorre dias depois de o Departamento de Estado americano afirmar estar atento à liberdade de expressão e à integridade eleitoral no Brasil, resposta dada após o desafio de Lula a Marco Rubio durante a convenção do PDT, como mostrou o Tropiquim.

Mudança de postura em relação a 2022

A movimentação contrasta com a postura dos EUA nas eleições de 2022, quando o governo americano reforçou a estabilidade democrática brasileira e respaldou relatórios de inteligência que atestaram a ausência de fraudes nas urnas.

Observadores internacionais seguem confirmando a confiabilidade do sistema. Benoni Belli, embaixador do Brasil na OEA, disse ao jornal que todas as missões de observação no país desde 2018 atestaram que as urnas são seguras e capazes de produzir resultados legítimos. O especialista Salvador Romero classificou o modelo brasileiro como “um dos mais robustos da América Latina”.

Bolsonaro, Figueiredo e o padrão regional

Apesar disso, o pré-candidato Flávio Bolsonaro voltou a reproduzir alegações de fraude nas urnas, já desmentidas pelo TSE. Já o influenciador Paulo Figueiredo confirmou ao jornal reuniões na Casa Branca sobre o tema, que se tornou prioridade da gestão Trump na região — como no apoio a Javier Milei na Argentina, ao presidente conservador eleito em Honduras e à aliança com Abelardo de la Espriella na Colômbia.

A estratégia repete um roteiro já usado dentro dos próprios EUA: como mostrou o Tropiquim, Trump já havia anunciado discurso para questionar a segurança das urnas eletrônicas americanas, repetindo sem provas a tese de fraude na eleição de 2020.

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