Política

Defesa de Buzzi usa registros de catracas do STJ para contestar assédio sexual

Advogada aponta falso testemunho e usa laudo médico para rebater relato de assédio na praia.
Marco Buzzi ao lado da fachada do STJ, ilustrando a defesa de Buzzi assédio sexual baseada em registros de catracas

A advogada Maria Fernanda Saad Ávila, defensora do ministro afastado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi, contestou nesta terça-feira (28) as denúncias de assédio sexual feitas por duas mulheres contra o magistrado.

Em entrevista, ela citou registros de catracas do STJ para negar que Buzzi tenha ficado a sós com uma das denunciantes, ex-funcionária do gabinete dele.

Buzzi será julgado pelo plenário da Corte na quinta-feira (6), em processo administrativo que pode resultar em seu afastamento definitivo do cargo.

Contradições apontadas pela defesa

Segundo a advogada, os registros de entrada e saída do prédio do STJ mostram que o ministro não esteve a sós com a ex-funcionária nos horários indicados nas denúncias, incluindo os episódios da biblioteca, da despensa e do corredor da assessoria.

Sobre o episódio do corredor, considerado pela denunciante o mais grave, Ávila afirma que as testemunhas de acusação descreveram uma dinâmica diferente da relatada pela vítima, o que teria fragilizado a versão apresentada.

A defesa também alega falso testemunho de duas funcionárias que confirmaram os relatos da denunciante. Segundo Ávila, as catracas mostram que elas só passaram a chegar mais cedo ao gabinete durante o período em que a denunciante estava afastada por motivos de saúde — e não como forma de evitar que ela ficasse sozinha com o ministro.

Já sobre a denúncia feita por uma jovem em uma praia de Santa Catarina, a defesa recorreu a um laudo médico de disfunção erétil para contestar a descrição do episódio. Segundo a advogada, o documento comprova que o ministro não poderia ter sido percebido em ereção, como relatado. A defesa sustenta ainda que Buzzi tem dificuldades motoras, usa bengala e palmilha ortopédica, o que explicaria o auxílio físico durante a entrada no mar.

O julgamento que pode resultar no afastamento definitivo de Buzzi foi marcado para o dia 6 de agosto, quando a Corte Especial do STJ decidirá se aplica sanções como a aposentadoria compulsória.

Paralelamente ao processo disciplinar, Buzzi é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF): um por suspeita de importunação sexual e outro por suposto envolvimento em esquema de venda de sentenças no STJ. Além do processo por assédio, Buzzi também é investigado por suposta participação nesse esquema, que levou o STF a autorizar a Polícia Federal a aprofundar as apurações.

Segundo Ávila, o ministro não tem conhecimento formal sobre a investigação envolvendo venda de sentenças. A advogada também cita um encontro, registrado por câmeras do STJ, entre a mãe da primeira denunciante e uma testemunha de acusação da segunda denúncia, o que sugeriria comunicação entre os envolvidos no caso.