Economia

ApexBrasil anuncia plano de diversificação e diz que não vai abandonar EUA

Laudemir Müller cita avanço da diversificação: 72% das empresas exportadoras já atuam em outro mercado
Logo da ApexBrasil com bandeira dos EUA e cenário da Coreia do Sul representam o plano de diversificação da ApexBrasil

O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, afirmou nesta terça-feira (28) que o Brasil não pretende abandonar o mercado americano, mas ampliar a presença brasileira em outros destinos, como parte da resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Durante o Brazil-Korea Business Roundtable, em São Paulo, ele anunciou que a agência lançará em 11 de agosto um plano de diversificação para os setores atingidos pelas tarifas, com ações de inteligência comercial voltadas a novos mercados.

Diversificação já avança entre as empresas

Segundo Müller, o movimento de buscar novos destinos não é apenas um anúncio: 72% das 2.400 empresas atendidas pela ApexBrasil que exportam para os Estados Unidos já passaram a atuar em pelo menos um mercado adicional, como forma de reduzir riscos diante da instabilidade comercial internacional.

“Essa instabilidade no comércio internacional não ajuda as empresas. Ela faz com que todo mundo reveja quem são os seus parceiros e trabalhe a diversificação. Bons parceiros, estáveis, confiáveis e capazes de desenvolver uma relação de longo prazo”, disse o presidente da agência.

O plano que será apresentado em agosto detalha ações voltadas aos setores mais afetados pelo tarifaço americano. Müller já havia adiantado parte da iniciativa em meados de julho, quando revelou que o programa contará com R$ 130 milhões investidos em parceria com o setor privado.

Coreia do Sul entra no radar das exportações brasileiras

Ao citar a Coreia do Sul como exemplo da estratégia de diversificação, Müller destacou oportunidades em alimentos, biocombustíveis, minerais críticos e tecnologia. O Brasil responde hoje por apenas 1% das importações sul-coreanas, mesmo com o país asiático importando cerca de US$ 600 bilhões por ano.

O presidente da ApexBrasil afirmou ainda que o objetivo é atrair investimentos para desenvolver a cadeia de minerais críticos no Brasil, em vez de apenas exportar matéria-prima. No mesmo evento, o vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu quase dobrar o comércio bilateral com a Coreia do Sul, citando os sete memorandos assinados um dia antes em Brasília.

Analistas apontam que a China, até aqui a principal alternativa ao mercado americano, tem limites para absorver o tipo de produto afetado pelas tarifas, o que reforça a busca por parceiros como a Coreia do Sul.

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