Brasil e Coreia do Sul assinaram nesta terça-feira (28) novos acordos de cooperação em comércio, tecnologia e investimentos, durante o Brazil-Korea Business Roundtable, em São Paulo.
O encontro, organizado pela ApexBrasil e pela Federação das Indústrias da Coreia, integrou a visita oficial do presidente sul-coreano Lee Jae Myung ao Brasil.
Ao discursar, o vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu a meta de quase dobrar o comércio bilateral, hoje em US$ 10,8 bilhões, e classificou a aproximação entre os países como ‘uma necessidade estratégica’.
Sete memorandos e ambição industrial
Os investimentos sul-coreanos no Brasil somam atualmente US$ 8,9 bilhões, e o avanço dessa relação já havia sido selado um dia antes, quando Brasil e Coreia do Sul concordaram em acelerar as negociações de um acordo comercial com o Mercosul, durante encontro entre Lula e Lee Jae Myung em Brasília.
Alckmin destacou que os sete memorandos assinados na véspera, em Brasília, cobrem áreas como minerais críticos, educação, audiovisual, esportes, energia, tecnologia industrial, atividades espaciais e segurança de redes. Segundo ele, o Brasil quer deixar de apenas exportar matérias-primas e avançar para uma parceria baseada em industrialização e transferência de tecnologia — mudança que ecoa a reunião entre Lula e Lee Jae-myung para tratar de terras raras e minerais críticos realizada na véspera.
Inteligência artificial e espaço
O vice-presidente também citou o potencial do Brasil para receber investimentos em inteligência artificial e centros de dados, apontando como vantagens a matriz elétrica renovável, a disponibilidade de água e a estabilidade regulatória. Na área aeroespacial, lembrou que a Coreia do Sul foi o primeiro país asiático a comprar o cargueiro KC-390, da Embraer, e citou o lançamento de um foguete sul-coreano previsto para setembro, a partir do Centro Espacial de Alcântara.
Potencial de mercado e resposta às tarifas dos EUA
O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, afirmou que o cenário internacional exige previsibilidade para o avanço das relações comerciais. Segundo ele, a Coreia do Sul importa cerca de US$ 600 bilhões por ano, mas o Brasil responde por apenas 1% desse mercado — incluindo café, do qual 40% do tipo especial consumido pelos sul-coreanos vem do Brasil.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, citou empresas como Samsung, LG e Posco e apontou a inteligência artificial e a soberania digital entre as prioridades do governo brasileiro, além de oportunidades em cosméticos, biocombustíveis e agronegócio.
Questionado sobre o tarifaço americano, Alckmin disse que o tema não entrou na pauta do encontro, mas reforçou que o Brasil segue negociando para reverter as tarifas dos EUA. A posição não é nova: semanas antes, o vice-presidente já havia dito que o Brasil vai negociar ‘sempre’ com os americanos sobre o tarifaço, e reiterou que eventual reciprocidade comercial ‘não é retaliação’.
