Economia

Brasil busca ampliar comércio com Europa e Ásia diante de tarifa de Trump

Ex-embaixador defende diálogo e diversificação de mercados após anúncio de tarifa de 50 dos EUA sobre produtos brasileiros

O ex-embaixador Rubens Ricupero recomenda que o Brasil expanda relações comerciais com Europa e Ásia, em vez de adotar retaliação direta contra os EUA após anúncio de tarifa de 50%. O documento do Cebri destaca a importância de negociações e da manutenção de canais diplomáticos abertos para conter impactos econômicos.

O governo brasileiro avalia estratégias e impactos, enquanto setores econômicos e diplomatas defendem diálogo e articulação internacional para enfrentar a medida.

Cenário da tarifa e recomendações diplomáticas

No documento “Brasil e Estados Unidos na Era Trump 2.0”, assinado por Rubens Ricupero e Ariane Costa, ambos do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), é sugerido que o Brasil não adote uma política de “olho por olho” diante do tarifaço anunciado pelos EUA. Em 9 de junho, Donald Trump informou que produtos brasileiros terão tarifa de 50% no mercado americano a partir de 1º de agosto, alegando razões políticas e econômicas. Apesar disso, dados mostram que o saldo comercial favorece os americanos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil busca negociar, podendo recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) ou à Lei da Reciprocidade Econômica caso não haja acordo. Ricupero e Costa defendem que reciprocidade não implica reação automática, mas sim considerar interesses econômicos dos EUA como instrumentos de negociação.

As estratégias sugeridas incluem fortalecer laços com a Câmara Americana de Comércio para o Brasil, aprofundar relações com Europa e Ásia, e promover propostas para reforma da OMC. O documento ressalta a necessidade de política externa ativa, com canais diplomáticos diversificados, inclusive via setor privado.

Diplomatas ouvidos pela imprensa avaliam que a OMC está paralisada e que um recurso à entidade seria mais simbólico, só tendo peso se articulado com outros países afetados.

Impactos econômicos e reações do setor produtivo

Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. O vice-presidente Geraldo Alckmin, também ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), tem se reunido com setores econômicos para avaliar os impactos do tarifaço e discutir possíveis respostas.

Segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), caso a tarifa de 50% seja implementada, o Brasil pode enfrentar uma queda de 0,16% do PIB (aproximadamente R$ 19 bilhões), redução de R$ 52 bilhões nas exportações, queda de R$ 33 bilhões nas importações e fechamento de cerca de 110 mil postos de trabalho.

Ricardo Alban, presidente da CNI, destacou em nota que “a indústria brasileira tem nos EUA seu principal mercado, por isso a situação é tão preocupante. É do interesse de todos avançar nas negociações e sensibilizar o governo americano da complementariedade das nossas relações. A racionalidade deve prevalecer”.

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