A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) prepara um programa de diversificação de mercados com investimento de R$ 130 milhões, em parceria com o setor privado, e lançamento previsto para o início de agosto.
A iniciativa prioriza setores atingidos pela nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e os que podem ganhar espaço com o acordo entre Mercosul e União Europeia.
Europa e Ásia Central como apostas estratégicas
Segundo o presidente da ApexBrasil, Müller, a Europa figura entre as prioridades da estratégia de abertura de mercados. Para ele, o acordo entre Mercosul e União Europeia cria oportunidades que podem ser aproveitadas neste momento.
O acordo entre os dois blocos foi assinado em janeiro de 2026, após mais de 25 anos de negociações, e prevê a redução gradual de tarifas e barreiras comerciais, criando uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. A busca por novos parceiros comerciais já vinha ganhando força antes do anúncio do tarifaço, com acordos recentes envolvendo União Europeia, EFTA e negociações com Japão e Singapura — movimento que o novo programa da ApexBrasil deve reforçar.
Países da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão, também entraram na lista de mercados considerados estratégicos pela autarquia.
Tarifa de 25% e reação do governo brasileiro
O programa da ApexBrasil surge dias após o governo dos Estados Unidos confirmar, na quinta-feira (16), a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, ao concluir uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). A medida foi baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento usado pelos americanos para investigar práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país.
Apesar da sobretaxa, uma extensa lista de produtos brasileiros ficou de fora da cobrança. O governo brasileiro reagiu classificando a decisão como sem justificativa econômica e motivada por razões políticas. A tarifa de 25% já era antecipada dias antes, quando análises indicavam que ela poderia levar o Brasil da 13ª à 2ª posição no ranking de países mais tarifados pelos Estados Unidos, atrás apenas da China.
A diversificação de mercados é uma de três frentes anunciadas por Müller para a ApexBrasil. Um dia antes, o vice-presidente Geraldo Alckmin já havia anunciado um programa de apoio direto às empresas afetadas pela tarifa, que deve atingir 18% das exportações brasileiras aos EUA, equivalentes a US$ 7,4 bilhões.
