Meio ambiente

Países começam avaliação das metas globais de biodiversidade até 2030

Reunião em Nairóbi prepara base de evidências para decisões da COP17, na Armênia
Vista aérea da Amazônia representa as metas globais de biodiversidade em pauta na ONU

Representantes dos países que integram a Convenção sobre Diversidade Biológica começaram nesta segunda-feira (27), em Nairóbi, no Quênia, a primeira avaliação global do cumprimento das 23 metas globais do Marco de Kunming-Montreal, que devem ser cumpridas até 2030.

O encontro, que se estende por duas semanas, prepara o terreno para a COP17, marcada para outubro em Yerevan, na Armênia, e vai apontar caminhos para acelerar as ações contra a perda de biodiversidade no planeta.

O que está em jogo nas metas

O grupo negocia um rascunho do relatório “Estado das Ações em Biodiversidade”, que reúne o progresso coletivo dos países na implementação do tratado assinado em 2022. Entre os compromissos mais ambiciosos estão a conservação de 30% da terra, do mar e das águas interiores do planeta, a restauração de 30% dos ecossistemas degradados pela ação humana, o corte pela metade na introdução de espécies invasoras e a redução de pelo menos US$ 500 bilhões por ano em subsídios prejudiciais à natureza.

No Brasil, um dos sinais mais concretos de avanço apareceu em junho, quando a Amazônia registrou o menor nível de alertas de desmatamento em dez anos — dado que se conecta diretamente à meta de conservação de 30% da terra prevista no Marco de Kunming-Montreal.

Evidências para orientar decisões

A secretária executiva da Convenção sobre Diversidade Biológica, Astrid Schomaker, afirma que o documento vai gerar, pela primeira vez, uma base compartilhada de evidências sobre o desempenho dos países. “As evidências só têm valor se servirem de base para a ação”, destacou.

Próximos passos até a COP17

A presidente do Órgão Subsidiário de Implementação da Convenção, a brasileira Clarissa Souza Della Nina, avalia que as negociações “têm o potencial de moldar a agenda global de biodiversidade até 2030 e além”. Entre os temas em pauta estão as lacunas de financiamento, a integração da biodiversidade às políticas econômicas e de governo, um plano global de educação ambiental e formas de acelerar a implementação do Marco.

A pressão por mais áreas de proteção integral também ganhou força no Brasil neste mês, com a Carta de Curitiba cobrando das autoridades orçamento e novas unidades de conservação alinhadas às metas globais de biodiversidade.

Os resultados consolidados em Nairóbi seguirão para a COP17, em outubro, junto com um pacote de recomendações que deve orientar as decisões finais dos países sobre a Revisão Global do Marco de Kunming-Montreal.

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