O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone nesta quarta-feira (20) com Emmanuel Macron, presidente da França, para discutir o aumento das tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros e a necessidade de avançar no acordo entre Mercosul e União Europeia.
Lula repudiou o uso político de tarifas comerciais e relatou medidas para proteger trabalhadores e empresas brasileiras. A ligação também abordou temas como COP30 e a guerra entre Ucrânia e Rússia.
Reação ao tarifaço dos EUA
Desde que os Estados Unidos impuseram uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros em 6 de agosto, Lula intensificou contatos com líderes internacionais. Segundo o Palácio do Planalto, na conversa com Macron, ambos reafirmaram apoio ao multilateralismo e ao livre comércio. Lula repudiou o uso político de tarifas comerciais contra o Brasil e explicou as ações do governo para proteger a economia nacional.
O presidente brasileiro destacou que, mesmo sem reconhecer a legitimidade de instrumentos unilaterais como a Seção 301 dos EUA, apresentou esclarecimentos sobre as medidas adotadas. O governo brasileiro acionou a OMC e respondeu à investigação comercial aberta nos EUA, mas considera que as negociações estão travadas.
Segundo auxiliares, a decisão de recuar nas tarifas depende do presidente Donaldo Trump, que condiciona isso ao término dos processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, que será julgado em setembro pelo STF. O governo brasileiro descarta interferência no julgamento e vê a exigência como ataque à soberania nacional.
Busca por novos mercados e acordos
Além de Macron, Lula já conversou com Xi Jinping (China), Vladimir Putin (Rússia) e Narendra Modi (Índia), e planeja ligar para líderes da África do Sul, Alemanha e União Europeia. O objetivo é defender as relações comerciais e buscar novos mercados para produtos brasileiros afetados pelas tarifas dos EUA.
Acordo Mercosul-União Europeia
Durante a ligação, Lula e Macron se comprometeram a ultimar o diálogo para assinar o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia ainda neste semestre, durante a presidência brasileira do bloco. A França resiste ao acordo por temer prejuízos aos seus agricultores, mas Lula defende que, diante do tarifaço, é fundamental ampliar relações com a União Europeia e priorizar negociações com países asiáticos como Japão, Vietnã e Indonésia.
COP30 e guerra na Ucrânia
Macron confirmou presença em novembro na COP30, em Belém. Lula ressaltou a importância de a União Europeia apresentar metas ambiciosas de redução de emissões. Os dois presidentes também discutiram a guerra entre Rússia e Ucrânia e concordaram em manter o diálogo sobre o conflito. Desde 2023, Lula tenta se posicionar como mediador para o fim da guerra.
Lula ainda pretende realizar uma cúpula virtual dos Brics em setembro para tratar da defesa do multilateralismo.