A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou nesta quarta-feira (22) que o surto de ebola declarado em maio já matou mais de mil pessoas na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda.
Segundo o relatório da OMS, a RDC soma 2.473 casos confirmados e 999 mortes, concentrados na província de Ituri, enquanto Uganda registra 20 casos e duas mortes, a maioria de pacientes congoleses que cruzaram a fronteira.
Surto avança em ritmo recorde
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, alertou na semana passada que o surto “se espalhou mais rapidamente do que qualquer surto anterior” da doença, transmitida por contato próximo e fluidos corporais infectados.
O décimo sétimo surto de ebola registrado na RDC foi declarado em 15 de maio, após uma sequência de mortes na província de Ituri, região rica em minerais e marcada pela presença de grupos armados. Casos também foram identificados em outras quatro províncias do país.
Para Thierno Balde, coordenador da OMS para a gestão da cepa Bundibugyo na RDC, apesar da resposta internacional intensificada, “o surto ainda está à nossa frente e ainda estamos na fase de recuperação”, afirmou nesta terça-feira (21).
O alcance do surto já havia ultrapassado fronteiras africanas em junho, quando a França confirmou seu primeiro caso da doença em um médico que retornava de missão humanitária na RDC.
Tratamentos em teste, mas sem vacina aprovada
Atualmente não existe vacina ou tratamento aprovado contra a cepa Bundibugyo, responsável pelo surto atual — diferente de outras variantes do ebola, para as quais já há imunizantes validados.
A OMS informou que já estão em testes de campo dois tratamentos experimentais, uma vacina candidata e uma profilaxia pós-exposição, classificados como “avanços promissores” pela organização.
Uganda, que teve a maioria dos casos ligados a pacientes congoleses que cruzaram a fronteira, afirma estar há três semanas sem registrar novos contágios, um sinal de que o controle na fronteira pode estar funcionando.
A concentração do surto em Ituri, região de difícil acesso por causa da atuação de grupos armados, é apontada como um dos principais obstáculos para conter a doença antes que ela se espalhe para novas províncias ou países vizinhos.