A República Democrática do Congo enfrenta uma das escaladas mais rápidas de um surto de ebola em anos. O país registra 513 casos suspeitos e 131 mortes — salto expressivo em relação aos cerca de 300 casos contabilizados apenas um dia antes.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou nesta terça-feira (19) estar “profundamente preocupado com a escala e a velocidade” do avanço da epidemia no leste do país. A organização já havia declarado emergência internacional no domingo (17) e convocou comitê de crise.
O surto é causado pelo vírus Bundibugyo, uma variante rara do ebola para a qual não existem vacinas nem tratamentos aprovados — fator que eleva o risco da resposta sanitária e concentra as preocupações da OMS. O aparecimento de casos em áreas urbanas e a morte de profissionais de saúde estão entre os pontos mais críticos monitorados pela agência.
A primeira morte ligada ao surto ocorreu em 24 de abril, em Bunia. O corpo da vítima foi transportado para Mongbwalu, uma região de mineração com intensa circulação de pessoas — o que pode ter acelerado a disseminação do vírus antes de qualquer alerta formal.
A resposta foi retardada por semanas. Testes iniciais apontaram resultado falso negativo para o tipo mais comum do vírus, o Zaire, levando autoridades locais a descartarem o ebola como causa das mortes. A confirmação oficial só veio em 14 de maio, após a OMS ser alertada sobre dezenas de óbitos em Mongbwalu, incluindo quatro profissionais de saúde.
Casos foram confirmados em Bunia, Goma, Butembo, Mongbwalu e Nyakunde. Uganda registrou um caso e uma morte em pessoas que haviam viajado do Congo. Um médico americano também está entre os infectados em Bunia — ele trabalhava em hospital local quando apresentou os primeiros sintomas da doença.
Crise humanitária agrava o cenário no leste do Congo
O avanço do surto ocorre numa região já devastada por conflitos armados e deslocamentos forçados. Segundo a ONU, apenas a região de Ituri abriga mais de 273 mil deslocados internos — população altamente vulnerável ao contágio e com acesso limitado a serviços básicos de saúde.
Moradores de Bunia relataram medo diante do avanço do vírus. Uma habitante da cidade contou à Associated Press que voltou a produzir máscaras de proteção artesanalmente, lembrando das consequências devastadoras de surtos anteriores da doença.
O ebola é transmitido pelo contato com fluidos corporais — sangue, vômito e sêmen. Historicamente, a doença se espalhou durante cuidados com pacientes e rituais funerários com contato direto com corpos das vítimas. Os sintomas incluem febre, dores musculares, diarreia, vômitos e sangramentos inexplicáveis.
