A Organização Mundial da Saúde recomendou, nesta quinta-feira, a priorização de três terapias experimentais para combater a cepa Bundibugyo do Ebola: o MBP134, da Mapp Biopharmaceutical; o maftivimab, da Regeneron; e o antiviral remdesivir, da Gilead Sciences.
Os medicamentos devem ser avaliados em ensaios clínicos para gerar dados de segurança e eficácia, em meio ao surto ativo na República Democrática do Congo — com casos também registrados em Uganda.
Até o momento, não há vacinas nem terapias aprovadas especificamente para a doença causada pela cepa Bundibugyo, o que torna urgente a estruturação de ensaios clínicos. O surto que levou a OMS a declarar emergência internacional — com 513 casos e 131 mortes — teve como agravante central essa lacuna terapêutica, que os medicamentos experimentais agora priorizados buscam suprir.
A Regeneron informou que o fornecimento de maftivimab já está disponível na RDC, caso a OMS decida utilizá-lo imediatamente em pacientes ou incorporá-lo a estudos clínicos. A agência avalia também a combinação de anticorpos monoclonais com o remdesivir como estratégia terapêutica.
Vacinas candidatas em desenvolvimento
Para prevenção pós-exposição, a OMS destacou o obeldesivir, antiviral oral experimental da Gilead, como prioritário para uso em contatos de casos confirmados — estratégia que, segundo a agência, depende de rastreamento rigoroso.
A candidata de dose única rVSV Bundibugyo, desenvolvida pela International AIDS Vaccine Initiative, é considerada a mais promissora entre os imunizantes. Ainda assim, a OMS avalia como improvável que o imunizante esteja pronto para testes nos próximos sete a nove meses.
Já o ChAdOx1 Bundibugyo, da Universidade de Oxford em parceria com o Serum Institute of India, poderá avançar para testes em dois a três meses, ainda dependendo de dados adicionais em estudos com animais.
A única vacina licenciada contra o Ebola até hoje, a Ervebo, da Merck, não foi recomendada pela OMS para uso fora de pesquisas no contexto do surto atual. As evidências de proteção contra a variante Bundibugyo foram consideradas limitadas e inconclusivas.
Com o risco epidêmico no Congo elevado ao patamar máximo e mais de 900 casos suspeitos sob monitoramento, a ausência de terapias aprovadas para a cepa Bundibugyo permanecia o principal obstáculo à resposta sanitária — cenário que torna os ensaios clínicos agora priorizados uma resposta direta à urgência do surto.
A OMS trabalha com autoridades da República Democrática do Congo e de Uganda, além do Africa Centres for Disease Control and Prevention, para estruturar e implementar os ensaios sob rigorosos padrões éticos.
