O surto de Ebola na República Democrática do Congo já matou ao menos 100 pessoas e registrou mais de 390 casos suspeitos. Nesta segunda-feira (18), o CDC americano confirmou que um profissional dos EUA que atuava no país contraiu a doença.
O paciente será transferido para a Alemanha para tratamento especializado, em operação coordenada com o Departamento de Estado. Uganda também registrou casos, com ao menos uma morte confirmada.
A cepa envolvida no surto é a variante Bundibugyo do vírus Ebola — considerada mais rara e para a qual ainda não existem vacinas ou tratamentos aprovados. A ausência de imunizantes eleva a preocupação das autoridades sanitárias, que alertam para um cenário possivelmente mais amplo do que o atualmente detectado.
A Organização Mundial da Saúde classificou o avanço da doença como uma emergência internacional de saúde pública, acionando protocolos de cooperação global e exigindo respostas coordenadas entre países afetados e vizinhos.
Americanos expostos e medidas de controle
Segundo a CBS News, ao menos seis profissionais americanos foram expostos ao vírus durante atuação no Congo. Um deles apresentou sintomas; outros tiveram contato de alto risco. O CDC não detalhou o número total de pessoas afetadas.
O governo dos EUA anunciou monitoramento de viajantes das áreas afetadas e restrições de entrada para estrangeiros que tenham passado recentemente pela República Democrática do Congo, Uganda ou Sudão do Sul. Satish Pillai, responsável pela resposta do CDC ao Ebola, afirmou que o risco interno para os Estados Unidos permanece baixo.
Ruanda e Nigéria também reforçaram a vigilância e o controle sanitário nas fronteiras com o Congo.
A disseminação regional preocupa especialistas pela ausência de vacinas testadas para a variante Bundibugyo. Diferentemente de surtos anteriores — como o de 2014-2016, o maior da história —, a cepa atual não conta com os imunizantes desenvolvidos após aquela crise, o que eleva o risco de subnotificação e expansão silenciosa entre países vizinhos.
A confirmação do caso americano ganhou peso político adicional: no mesmo dia, a OMS abria sua assembleia anual em Genebra usando justamente o surto de Ebola — ao lado do hantavírus — como argumento central para pressionar EUA e Argentina a não abandonarem a organização.
A pressão não é sem propósito. Sem o financiamento e a cooperação técnica dos países membros mais ricos, a capacidade de resposta global a emergências como essa fica severamente comprometida. O caso confirmado em um americano reforça o argumento de que surtos em regiões remotas têm potencial real de cruzar fronteiras.
