A França confirmou nesta quarta-feira (24) seu primeiro caso de Ebola no atual surto em curso na África Central. O paciente é um médico que retornava de missão humanitária na República Democrática do Congo.
Ele foi encaminhado a um hospital de referência, está em estado estável e permanece isolado sob protocolos rigorosos de biossegurança. O Ministério da Saúde francês afirma que o risco para a população europeia em geral é considerado baixo.
Uma investigação epidemiológica está em andamento para rastrear contatos do médico em território francês. As pessoas identificadas deverão cumprir 21 dias de isolamento domiciliar com monitoramento contínuo pelas autoridades regionais de saúde. A França implementou ainda um sistema específico de acompanhamento para o retorno de humanitários ao país.
O surto que originou o caso é o mais explosivo já registrado no primeiro mês de ocorrência da doença. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Congo já soma mais de 1.000 infectados e 267 mortes.
Cepa sem vacina aprovada
O desafio central do surto é a variante em circulação: o Ebola Bundibugyo. As vacinas disponíveis contra a doença — Ervebo e a combinação Zabdeno/Mvabea — não oferecem proteção contra essa cepa específica. Semanas antes do caso francês, a OMS priorizou três terapias experimentais para o Congo, incluindo o imunizante ChAdOx1, desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Oxford — doses que o país ainda aguarda receber dos Estados Unidos e do Reino Unido. Veja quais tratamentos a OMS priorizou contra o Ebola Bundibugyo.
Para o tratamento clínico, a OMS recomenda o uso dos anticorpos monoclonais mAb114 (ansuvimab) ou REGN-EB3 (Inmazeb) — proteínas produzidas em laboratório que atuam como substitutos do sistema imunológico natural do paciente.
Alerta global e vigilância internacional
A OMS avalia que o risco de propagação do Ebola em escala global permanece baixo, mas aponta preocupação com a intensa mobilidade populacional. A organização declarou que o surto ainda “não cumpre critérios de emergência pandêmica”, porém exige “coordenação e cooperação em nível internacional” para conter o avanço da doença — cujo risco é classificado como alto nos níveis nacional e regional no Congo e em Uganda.
O caso francês não é o primeiro a acionar protocolos fora da África. Em maio, o Rio de Janeiro mobilizou equipes especializadas da Fiocruz para investigar um viajante belga vindo de Uganda com sintomas virais. Saiba como o caso foi conduzido no Rio. Também no Brasil, dois suspeitos vindos do Congo e de Uganda foram descartados em menos de 24 horas, depois que a OMS declarou emergência de saúde pública global. Veja como o Brasil atuou na investigação.
O que é o Ebola
Causado por vírus do gênero Orthoebolavirus, o Ebola tem taxa média de letalidade de 50% e período de incubação de dois a 21 dias. A doença surgiu pela primeira vez em 1976, no Sudão e no Congo. O surto de 2014-2016 na África Ocidental foi o mais grave já registrado. O vírus chega aos humanos por animais selvagens — como morcegos, porcos-espinhos e primatas — e se dissemina por contato direto com sangue, secreções e fluidos corporais de infectados ou com superfícies contaminadas.