Política

Violência recua no Brasil, mas cresce contra negros, mulheres e LGBT+

Anuário de Segurança Pública mostra recorde de feminicídios e salto na violência infantil
Mulher negra e crianças retratam o aumento da violência contra negros e mulheres no Brasil.

O Brasil registrou em 2025 a menor taxa de homicídios dos últimos 14 anos, segundo a 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Mas o recuo geral esconde um retrato mais violento para negros, mulheres, pessoas LGBT+ e crianças.

Pessoas negras são 80% das vítimas de homicídio no país, enquanto os feminicídios bateram recorde no mesmo período, com quatro mulheres assassinadas por dia.

A violência contra a população LGBT+ cresceu mais de 35% em um ano, e seis em cada dez vítimas de estupro no Brasil têm menos de 14 anos.

Racismo e machismo agravam a violência letal

Para a promotora de Justiça Lívia Sant’Anna Vaz, do Ministério Público da Bahia, os números do Anuário confirmam que raça e gênero seguem determinando quem morre no Brasil. Ela participou do podcast O Assunto, do g1, apresentado por Natuza Nery, para comentar os dados da 20ª edição do levantamento.

Segundo o Anuário, pessoas negras são 80% das vítimas de homicídio no país — um índice que se mantém mesmo com a queda geral da taxa de homicídios, que atingiu a meta de redução prevista para 2027 com dois anos de antecedência. Já os feminicídios seguiram na direção oposta: o registro de casos bateu recorde em 2025, com uma média de quatro mulheres assassinadas por dia no país.

Subnotificação esconde tamanho real da violência LGBT+

O professor de Direito da Unifesp Renan Quinalha, autor do livro Movimento LGBTI+, avalia que o crescimento de mais de 35% nos casos de violência contra a população LGBT+ de um ano para o outro representa apenas parte do problema, já que esses crimes ainda são altamente subnotificados no Brasil. Ele também comparou como o país e outras nações têm avançado — ou recuado — na garantia de direitos a essa população.

Infância sob ataque

O Anuário também expõe a vulnerabilidade de crianças e adolescentes. A cada dez vítimas de estupro registradas no Brasil, seis tinham menos de 14 anos, revelando que grande parte da violência sexual no país atinge o público infantil.

Os casos de bullying e cyberbullying também dispararam: os registros cresceram 67,3% em 2025, com pico entre crianças de 10 a 13 anos, segundo o mesmo levantamento.

Os dados foram discutidos no episódio 1768 do podcast O Assunto, que soma mais de 168 milhões de downloads desde sua estreia, em 2019, reforçando o alcance da discussão sobre desigualdade na exposição à violência no país.

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