O Brasil atingiu, em 2025, a meta prevista para 2027 de redução na taxa de homicídios dolosos, chegando a 15,1 mortes a cada 100 mil habitantes — abaixo do teto de 16 fixado pelo Plano Nacional de Segurança Pública.
Os dados constam no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
No mesmo levantamento, os feminicídios bateram recorde: foram 1.571 casos ao longo do ano, alta de 4% em relação a 2024 — o equivalente a quatro mulheres mortas por dia no país.
Feminicídios em alta
Os 1.571 feminicídios registrados em 2025 representam o maior número desde a criação do tipo penal específico, em 2015. Juliana Brandão, coordenadora de Gênero e Raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, atribui o aumento tanto à consolidação da tipificação quanto a “sinais consistentes de aumento real” desse tipo de crime.
O mesmo Anuário mostra que a alta nos feminicídios vem acompanhada de outros indicadores em disparada, como stalking (30%), violência psicológica (17%) e descumprimento de medidas protetivas (17%). Para Brandão, o cenário indica “piora em relação à defesa dos direitos das mulheres”.
Queda desigual entre os estados
As mortes violentas intencionais caíram 8% em 2025, totalizando 40.775 casos — o menor patamar desde 2012. A redução ocorreu em 20 das 27 unidades federativas, com destaque para Amazonas (32,5%), Rio Grande do Sul (25,7%) e Mato Grosso (23,2%). Santa Catarina ultrapassou São Paulo pela primeira vez desde 2014 e assumiu a menor taxa de mortes violentas do país.
Desafios que persistem
Apesar do avanço, especialistas do Fórum apontam que a redução da violência letal no Brasil ainda enfrenta obstáculos. “Dentro do número geral de mortes violentas intencionais, ainda tem o feminicídio, que cresceu, e as mortes decorrentes de intervenção policial, que são algo bastante desafiador dentro dessa redução da violência no território brasileiro”, afirma Marques.
As mortes causadas por policiais bateram recorde próprio em 2025, com 6.602 casos, impulsionadas pela Operação Contenção no Rio de Janeiro — um dos fatores citados como entrave à queda mais acentuada da violência no país.
