O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou nesta quarta-feira (23) a abertura de um inquérito da Polícia Federal para apurar repasses de Daniel Vorcaro à produção da cinebiografia Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A autorização atende a pedido da PF, que teve parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. O próprio Mendonça, relator dos processos sobre a fraude do Banco Master, pediu a manifestação da PGR antes de decidir.
Como as mensagens vieram à tona
O filme Dark Horse ganhou notoriedade depois que o site The Intercept Brasil divulgou conversas entre o pré-candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. Nas mensagens, o filho do ex-presidente pede recursos ao banqueiro para financiar a produção cinematográfica sobre a trajetória do pai.
Segundo o Intercept, o valor repassado teria chegado a R$ 61 milhões, quantia que a Polícia Federal agora quer confirmar. O dinheiro teria chegado a um fundo responsável pelo financiamento do filme nos Estados Unidos por meio da Entre Investimentos e Participações, empresa já suspeita de integrar o ecossistema de fraudes do Master.
Em junho, o g1 revelou que investigadores da PF avaliavam abrir apurações em três frentes ligadas ao caso: a confirmação do valor repassado, o caminho do dinheiro até o fundo nos EUA e, principalmente, se os recursos foram entregues em troca de algum favor prestado pelo senador ou por seu grupo político.
A nova apuração sobre o Dark Horse se soma a outras frentes já abertas pela PF contra Vorcaro, que recentemente acionou a Interpol para rastrear o patrimônio do banqueiro no exterior.
Flávio nega irregularidade
Pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade no episódio e afirma que apenas buscou um financiamento privado para o filme sobre a trajetória de seu pai, sem qualquer contrapartida política envolvida.
Mendonça é o relator das ações sobre a fraude do Banco Master no STF e já havia atuado em outra frente ligada a Vorcaro. Ele determinou a apreensão do passaporte do publicitário Thiago Miranda, apontado como articulador de ataques ao Banco Central, dentro da chamada Operação Compliance Zero.
Com o novo inquérito, a Justiça deve aprofundar a investigação sobre o uso de recursos do banco em colapso para financiar projetos ligados ao entorno político de Jair Bolsonaro, ampliando o alcance de apurações que já resultaram em bloqueios de bens e medidas internacionais contra o ex-banqueiro.