A Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (3), uma proposta de delação premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, dono da Entre Investimentos e Participações.
A empresa dele é apontada por investigadores como intermediária de repasses à produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), além de ter sido usada para busca de moeda destinada a pagamentos em dinheiro vivo.
O acordo foi assinado no mesmo dia da delação de João Carlos Mansur, dono da gestora Reag, ambas no âmbito das investigações do caso Master, e aguarda homologação do ministro André Mendonça, relator no STF.
Rastro de R$ 159 milhões até o Dark Horse
Relatórios de inteligência financeira (RIFs) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostram que a Entre Investimentos recebeu recursos de fundos apontados pela Polícia Federal como parte da fraude do Banco Master. A Entre Investimentos, empresa cujo dono agora propõe delação à PGR, já havia sido identificada em maio como intermediária que recebeu R$ 159,2 milhões de fundos investigados pela PF por fraudes no Banco Master. Ainda não está claro quanto desse total foi de fato destinado ao filme ou à sua produtora.
A maior parte dos repasses, de R$ 139,2 milhões, veio da Sefer Investimentos, alvo da 2ª fase da operação Compliance Zero, deflagrada em janeiro por suas relações com Daniel Vorcaro. Outros R$ 20 milhões vieram do fundo Gold Style, administrado pela Reag e também ligado ao banqueiro, que movimentou quase R$ 1 bilhão de empresas apontadas pela PF como parte do esquema de lavagem de dinheiro do PCC no mercado financeiro.
Empresa liquidada pelo Banco Central
A Entre Investimentos integra o grupo Entrepay, de Freixo Júnior, liquidado em março pelo Banco Central por comprometimento da situação econômico-financeira, irregularidades no cumprimento das normas do setor e risco anormal a credores.
Repasse extra motivado por cobrança de Flávio Bolsonaro
Nesta semana, a imprensa revelou que Vorcaro fez um repasse adicional de US$ 1,6 milhão ao Dark Horse em setembro de 2025, dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), hoje candidato à Presidência, cobrar parcelas atrasadas. O acordo total previa pagamento de R$ 124 milhões, dos quais R$ 61 milhões já haviam sido pagos pelo dono do Master.
Os recursos eram enviados ao Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas que repassava o dinheiro à Go Up Entertainment, produtora do filme. Entre os administradores do fundo estava Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
O ministro André Mendonça — o mesmo que em julho autorizou a abertura do inquérito da PF sobre os repasses ao Dark Horse — é quem agora recebe as duas propostas de delação e decide se as homologa. A PGR, que em junho recebeu de Mendonça a decisão sobre como prosseguir com o caso, agora retorna ao gabinete do ministro com duas propostas de colaboração — completando um ciclo de três meses na tramitação do caso. Não há prazo para o ministro decidir.