A Polícia Federal apontou ao Supremo Tribunal Federal que o ex-marqueteiro de Flávio Bolsonaro (PL) enviou R$ 1 milhão à Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse, sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro (PL).
O repasse consta na decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que autorizou nesta quinta-feira (10) a operação “Make Up”, baseada em dados do Coaf sobre movimentações atípicas na produtora.
Repasses milionários durante a produção do filme
Segundo o relatório do Coaf reproduzido na decisão de Dino, a Go Up movimentou R$ 19 milhões no período analisado — R$ 8,9 milhões em créditos e R$ 10 milhões em débitos. Entre os principais destinatários dos repasses estão Marcello, o próprio ex-marqueteiro citado pela PF, e o deputado Mario Frias, produtor executivo do Dark Horse.
A produtora também registrou gastos com hospedagem em hotéis de alto padrão, refeições e serviços de outras produtoras. As gravações do filme ocorreram em São Paulo entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025, e a PF destaca que parte das movimentações financeiras coincide com esse período de produção.
A operação “Make Up” é desdobramento de uma apuração mais ampla: a PF também investiga R$ 2 milhões em emendas parlamentares de Mario Frias direcionadas a organizações ligadas à mesma produtora, em esquema que motivou 49 mandados de busca e apreensão em quatro estados.
Saída de Lopes em meio ao escândalo Vorcaro
Lopes atuava nos bastidores da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, mas deixou a equipe em meio a críticas à reação da campanha após a divulgação de mensagens sobre um encontro do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master. O episódio aumentou a pressão sobre a equipe de comunicação; à época, Lopes afirmou que a saída partiu dele mesmo e disse que pretendia focar na própria empresa.
A relação entre o financiamento do filme e Vorcaro já vinha sendo mapeada: em maio, Flávio admitiu ter cobrado pessoalmente do banqueiro as parcelas atrasadas do patrocínio de R$ 61 milhões ao Dark Horse. Também veio à tona um contrato que formaliza Mario Frias e Eduardo Bolsonaro como produtores-executivos da Go Up Entertainment, vinculando o financiamento do longa a Vorcaro.