Meio ambiente

Alertas de desmatamento na Amazônia crescem 27 no primeiro semestre segundo Inpe

Mato Grosso lidera avanço do desmate enquanto Cerrado registra redução de quase 10 nos alertas

Os alertas de desmatamento na Amazônia Legal aumentaram 27% no primeiro semestre de 2025, passando de 1.645 km² em 2024 para 2.090 km², segundo o Inpe. É a primeira alta no atual governo Lula. Já no Cerrado, houve queda de 9,8% nos alertas no mesmo período.

Avanço do desmate na Amazônia Legal

No acumulado de janeiro a junho de 2025, a Amazônia Legal registrou 2.090,38 km² sob alertas de desmatamento, segundo dados divulgados na manhã de sexta-feira (11) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O aumento de 27% em relação ao mesmo período do ano anterior marca a primeira elevação no índice durante o terceiro mandato do presidente Lula.

A região da Amazônia Legal abrange 59% do território brasileiro, incluindo oito estados e parte do Maranhão. Os alertas são emitidos pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), que monitora áreas acima de 3 hectares e identifica tanto desmatamento total quanto degradação florestal.

Em junho, foram registrados 458 km² sob alerta, o menor número já visto para o mês na série histórica. No entanto, a alta cobertura de nuvens pode ter dificultado a detecção completa da devastação.

Estados mais afetados e perfil das áreas desmatadas

Mato Grosso, Pará e Amazonas lideraram em áreas afetadas, somando mais de 400 km² em junho. O Mato Grosso se destacou, respondendo por quase metade desse total, com 206 km². No semestre, o estado perdeu 1.097 km² de floresta, um aumento de 141% em relação ao ano anterior.

Quase 40% do desmatamento entre 1º e 27 de junho ocorreu em áreas sem definição clara de uso. No entanto, propriedades privadas concentraram 43,5% dos alertas em junho e 39% no semestre, representando um salto de 81% em relação ao mesmo período de 2024.

A porta-voz de Florestas do Greenpeace Brasil, Ana Clis Ferreira, relaciona o aumento do desmatamento à expectativa de retrocessos nas políticas ambientais, especialmente no Mato Grosso. Ela destaca pressões sobre a Moratória da Soja e riscos de afrouxamento nas regras de licenciamento ambiental com o Projeto de Lei 2159/2021, chamado de “PL da Devastação”.

Redução dos alertas no Cerrado

No Cerrado, os alertas de desmatamento caíram 9,8% no primeiro semestre de 2025, passando de 3.724,3 km² em 2024 para 3.358,3 km². Apesar da redução, o Cerrado segue como o bioma mais desmatado do país, com grande parte da destruição causada por incêndios descontrolados.

Especialistas apontam que o Cerrado sofre com falta de atenção política e orçamentária, mesmo sendo estratégico para a segurança hídrica, climática e alimentar do Brasil. O bioma abriga as nascentes das principais bacias hidrográficas, mas perde cobertura nativa mais rapidamente que a Amazônia.

O Ministério do Meio Ambiente foi procurado para comentar os dados, mas não respondeu até a última atualização da reportagem.

Diferentes sistemas de monitoramento

Os alertas são feitos pelo Deter, que monitora alterações diárias na cobertura florestal. O Deter não fornece o dado oficial de desmatamento, mas indica onde o problema ocorre. Já o sistema Prodes, também do Inpe, é responsável pela medição oficial, que geralmente supera os alertas do Deter.

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