Política

TCU propõe ao Congresso reajuste de até 40% em gratificações

Proposta foi enviada no mesmo dia em que tribunal liberou pagamentos acima do teto constitucional
Fachada do TCU junto ao Congresso Nacional representa proposta de reajuste de gratificações do TCU enviada ao Legislativo

O Tribunal de Contas da União (TCU) enviou ao Congresso Nacional, na quarta-feira, um projeto de lei que propõe reajuste de até 40% nas gratificações pagas a servidores do próprio órgão em funções de chefia, direção ou assessoramento.

O envio ocorreu no mesmo dia em que o plenário do TCU autorizou servidores do tribunal, da Câmara e do Senado a receber remuneração acima do teto constitucional de R$ 46.366,19.

Pelos cálculos do próprio órgão, o reajuste elevaria em R$ 27,7 milhões por ano o gasto público com as 923 gratificações hoje pagas a servidores do TCU.

A gratificação é um adicional pago a servidores que ocupam funções especiais, como chefia, direção ou assessoramento. Esses mecanismos usados para elevar salários acima do limite constitucional são conhecidos popularmente como penduricalhos.

Até a semana passada, o teto de R$ 46.366,19 — correspondente à remuneração dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) — incidia sobre a soma do salário com a gratificação. Com a decisão do plenário do TCU, os dois valores passaram a ser calculados separadamente, abrindo espaço para remunerações mais altas. O pedido de reajuste chega dias depois de o plenário do TCU liberar, por 8 votos a 1, o pagamento integral dessas gratificações acima do teto — decisão que já beneficia 25,7 mil servidores e custa R$ 211 milhões por ano aos cofres públicos.

O projeto de reajuste foi enviado pelo presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, na quarta-feira, mesmo dia da decisão sobre os penduricalhos. A proposta foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pela GloboNews.

Segundo o TCU, o órgão paga atualmente 923 gratificações a servidores. Caso o Congresso aprove o reajuste de até 40%, o custo anual para os cofres públicos passará a ser de R$ 27,7 milhões.

Junto ao projeto de lei, o TCU apresentou ao Congresso uma defesa da proposta, argumentando pela atualização dos valores pagos pelas funções de chefia, direção e assessoramento exercidas por seus servidores.

O episódio se soma a uma sequência de idas e vindas sobre penduricalhos que marcou o primeiro semestre de 2026, com o STF alternando entre restringir e liberar pagamentos acima do teto enquanto o Congresso segue sem aprovar uma regra definitiva sobre o tema.

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