O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou ministros nesta quinta-feira (16) para uma reunião no Planalto sobre a resposta brasileira à decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos do país, medida já chamada de novo “tarifaço”.
Participam do encontro o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, o ministro da Indústria, Márcio Elias Rosa, e o chanceler Mauro Vieira. Após a reunião, estão previstos pronunciamentos no Itamaraty e no MDIC.
Argumentos do USTR e acusação de má-fé
A tarifa de 25% foi confirmada nesta quarta-feira (15) pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), resultado de uma investigação comercial de um ano baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar barreiras comerciais em outros países. A lista de isenções é extensa: petróleo, café e carne bovina ficam fora da nova taxa, que passa a valer em 22 de julho.
Embora apresentada como medida econômica, o próprio governo Trump tem sinalizado motivação política. O secretário de Estado Marco Rubio acusou o governo Lula de “não negociar de boa-fé”, enquanto o Planalto rebateu classificando a decisão como um “marco lastimável” nas relações bilaterais e afirmando que “repudia” o anúncio.
Lula afirmou que vai acionar a Lei da Reciprocidade em resposta à tarifa americana.
Disputa política em ano eleitoral
Enquanto o governo atribui caráter ideológico à decisão americana, a oposição culpa Lula por falhas na negociação. Para rebater as críticas, o Itamaraty já havia divulgado um levantamento apontando mais de 30 contatos com os EUA ao longo do último ano de negociações.
A acusação de má-fé partiu diretamente de Marco Rubio, que disse nas redes sociais que Lula “priorizou seu próprio ego em detrimento de um acordo” com Washington.
Nos bastidores, assessores do Planalto avaliam que a tarifa pode ter outro objetivo: favorecer a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, hipótese que ganhou força após o senador se reunir com Trump em Washington.
