Temporais com granizo e ventos fortes atingiram lavouras de café em Garça, no interior de São Paulo, nesta semana. Produtores da região aceleraram a colheita para tentar salvar o que restou da safra deste ano.
As chuvas fortes derrubaram os grãos ainda maduros, que caíram na terra úmida e perderam qualidade. O fenômeno também atrasou o cronograma das atividades no campo.
Prejuízos chegam a centenas de milhares de reais
O produtor José Carlos de Morais Filho, que cultiva 370 mil pés de café, afirma que 40% de sua produção já caiu no chão. A queda direta na terra desvaloriza o grão em cerca de R$ 400 por saca, o que deve resultar em um prejuízo estimado de R$ 700 mil.
A cafeicultora Ellaritta Crude enfrenta cenário semelhante em seus 450 hectares, cultivados no sistema de sequeiro, que depende exclusivamente da água da chuva. Ela projeta perda de 40% da safra, com prejuízo calculado em R$ 7 mil por hectare afetado.
Corrida contra novas frentes frias
Para reduzir os danos, os produtores intensificaram o uso de maquinário agrícola e passaram a adotar a colheita manual emergencial, mesmo mais lenta e onerosa, como forma de recolher os frutos que resistiram às tempestades antes da chegada de novas frentes frias.
O episódio em Garça reforça um alerta que já circulava no setor cafeeiro: um levantamento recente apontava risco de até 25% de perda na safra arábica de 2027 por conta do El Niño, fenômeno que aumenta a chance de floradas irregulares e grãos menores.
